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Sem Firula

Começar do zero

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Eram mais ou menos três e dez da tarde quando recebi a informação da demissão de Dunga. Na realidade, não só de Dunga, mas de todos os que compunham a comissão técnica que levou o Brasil a pagar um mico inominável na Copa América Centenário. Naquele momento (e escrevo logo depois da informação da dissolução da comissão técnica) ainda não estava oficializado o substituto, apesar de todos sabermos que a CBF quer levar Tite – que a esta hora já deve ter aceitado e deixado o Corinthians.
Não sei, com sinceridade, o que levou Dunga a não pedir demissão. Seria muito mais digno. Será que algum inimigo (sim, porque só um inimigo tentaria convencê-lo de que ele continuaria no cargo) foi capaz de dizer “espera que você não cai”? Se alguém disse, e ele, Dunga, acreditou, está aí mais uma prova do quanto ele, Dunga, estava errado nesta segunda passagem pela seleção brasileira.
E a demissão de Dunga, antes do prazo derradeiro para anunciar a lista dos jogadores para a Olimpíada (ele também ficará de fora, felizmente), pode ser um bom negócio para todo mundo. Para a CBF, que se livra de um profissional que não tem a simpatia de ninguém; para os jogadores, que terão um treinador a comandá-los a partir de agora; para o Corinthians, que deve substituir Tite por Abel (se for Eduardo Baptista não é bom negócio, não).
A diferença

Na noitinha de segunda-feira saíram as punições para Flamengo e Palmeiras pelos tumultos ocorridos no jogo entre os times no Mané Garrincha: o rubro-negro carioca vai ter de pagar uma multa de R$ 50 mil e perderá um mando de campo, mas com direito a torcida (como vem jogando em Volta Redonda ou pelo Brasil, não muda nada). O Verdão pagará mais: R$ 80 mil, também com a perda de um mando de campo, mas aí sem torcida. Duríssimas as penas, não é mesmo? (o colunista está sendo irônico)

Pela confusão arrumada por seus torcedores no Velodrome, em Marselha, após a partida entre Rússia e Inglaterra, a Federação Russa de Futebol (o nome correto é União Russa de Futebol, mas vamos deixar assim para todo mundo entender) foi punida pela UEFA com uma multa de R$ 580 mil e já foi avisada que outro vacilo custará a eliminação da seleção nacional da Eurocopa – e outras punições que poderão ser adotadas.

Perceberam a diferença?

Enquanto a justiça esportiva brasileira pune dois clubes (repito: dois clubes) com multas que somadas chegam a R$ 130 mil, a UEFA caneta a Rússia, só a Rússia, em R$ 580 mil e avisa que o país pode ser excluído da competição que participa. Deixando de lado as questões políticas envolvidas – e são muitas –, verifica-se, de pronto, a diferença de tratamento para as lambanças promovidas por estes torcedores (marginais) que vão aos estádios apenas para provocar tumultos. E esta é, sem dúvida alguma, uma das muitas diferenças que fazem com que nosso futebol esteja, hoje, rastejando na lama.

Lembrando a punição ao Flamengo, que prejuízo haverá ao clube perder um mando de campo, com a presença de torcida? Pela sua força, onde quer que jogue o Flamengo é sempre maioria no estádio (claro que se for enfrentar o Corinthians em São Paulo isso não acontecerá). A punição imposta ao Palmeiras deveria ser a mesma dada ao time carioca. E, ambas, mais rigorosas. Como disse, o Flamengo está disputando todo o Brasileiro fora da cidade do Rio de Janeiro, logo, já está “sem mando de campo”. Punição seria fazê-lo jogar em Natal, sei lá, mas sem torcida. De preferência contra um clube nordestino, que assim, teria um deslocamento menor. O mesmo se aplica ao Palmeiras.

Enquanto estes erros forem tratados com medidas punitivas “brincalhonas” a tendência é que os problemas se ampliem. E aí, o torcedor irá cada vez mais se afastando do estádio. Crianças, que seriam o público do futuro, irão se acostumar cada vez mais em ficar no sofá vendo o jogo pela televisão – e os estádios esvaziando.


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