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Sem Firula

Amor demais

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Fim de ano é tempo bom para papear com os amigos.

Na realidade, uma boa conversa é bem vinda a qualquer tempo, mas no fim do ano… Melhora.

Estava conversando com alguns parceiros, um deles inclusive ex-vice-presidente de um grande clube do Rio de Janeiro, quando o assunto foi parar no futebol.

Flamenguistas zoando tricolores, vascaínos e botafoguenses pela penúria de seus times; todos juntos contra os erros da administração rubro-negra e eis que chegamos ao tema do porque alguém deseja ser presidente de um clube de futebol – no caso do Rio de Janeiro, praticamente todos falidos.

Alguém de pronto afirmou que vantagem seria presidir Barcelona ou Real Madrid, com vários craques, muito dinheiro, títulos a rodo.

Outro, tricolor, lembrou que nesta quinta-feira o presidente do Fluminense teria um pedido de impeachment analisado pelo Conselho Deliberativo – situação, aliás, pela qual passaram outros cartolas este ano.

Irritado, um segundo tricolor, membro do Conselho Deliberativo de seu clube, afirmou que, apesar da mobilização, o impedimento não passaria, visto que a base política do mandatário não deixaria sequer abrir a sessão.

No centro do tiroteio, lembrou inclusive que o cartola tinha ido à Justiça contra o clube que preside – isso mesmo, não riam: o presidente moveu ação contra o clube que comanda – para que não fosse realizada a reunião que pode (poderia?) tirá-lo do cargo.

A discussão, então, passou para o lado filosófico.

Qual a razão de tanto apego a estes cargos, não remunerados, por parte destas pessoas?

Sim, porque oficialmente nenhum presidente, vice-presidente ou diretor pode ser remunerado. É lei.

Então, o que leva tantas pessoas a sacrificarem suas vidas pessoais, a ouvirem xingamentos, a perderem noites de sono e de contato familiar para exercerem estes cargos de sacrifício?

Ironicamente convencionou-se que é questão de amor.

Amor demais, afirmaram.

Só uma louca paixão explica uma pessoa resolvida profissionalmente ficar feliz em ouvir um Maracanã lotado gritando para que “vá tomar caju”.

Alguma tara?

Impossível explicar.

Ou ver-se tolhido de andar na rua calmamente após uma derrota do seu time.

O futebol é paixão, insana, para os torcedores.

Pelo visto, porém, também é doença para estes cartolas.

Houve alguém no grupo que falou das viagens.

Só no Brasileiro, são mais de dez, para algumas das mais famosas cidades brasileiras – mas sem tempo de fazer turismo.

Outro lembrou dos jantares, dos paparicos, da possibilidade de criar uma rede de relacionamentos – de novo o presidente do Fluminense voltou à conversa por ter, curiosamente, almoçado com o futuro governador do Rio de Janeiro para tratar da questão do Maracanã.

Será, porém, que estes bônus são suficientes para compensar todos os ônus de ser presidente de um clube.

E de um clube falido, como acontece na maioria dos casos?

Dirigir o Flamengo ou o Palmeiras, hoje, não é tão complicado.

Um ou outro mau resultado pode provocar dor de cabeça, mas é só isso (só?).

Nos demais…

Só mesmo essa estranha loucura chamada futebol, e toda a paixão que ele provoca, pode ser capaz de explicar.

(como o leitor pode perceber, em momento algum o colunista tocou em possíveis desvios de verba ou esquemas de ganhos ilícitos, que, tenho certeza, jamais aconteceram no futebol brasileiro – a frase anterior está repleta de ironia, devo avisar).


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