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Professor M.

Fazer Mais com Menos, o mantra organizacional.

Existe um mantra organizacional que atravessa décadas e ainda tem grande valor nos dias de hoje: fazer mais com menos.

Prof. Manfrim

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Fazer mais com menos.
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A busca constante, frenética e obsessiva de algumas organizações pela eficiência criou um mantra presente e consistente nas empresas, a fixação do “fazer mais com menos”, um sonho organizacional para muitos gestores públicos e privados.

Esse mantra e sonho não é novo e faz parte da própria concepção da Administração e Gestão de Negócios, contando com mais de 100 anos de história. Relembremos quatro delas como ilustração [1]:

Administração Científica (1903): Também conhecida como Taylorismo, foi idealizada por Frederick W. Taylor e sua ênfase está na busca pela racionalização do trabalho no nível operacional, procurando garantir o melhor custo/benefício aos sistemas produtivos;

Teoria da Burocracia (1909): Idealizada por Max Weber, está fundamentada na racionalidade, na eficiência e eficácia, se destacando pela autoridade, formalidade, impessoalidade, hierarquia e divisão do trabalho. Vale a pena reler o artigo ‘Escalada, queda e renovação da burocracia’;

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Teoria Clássica (1916): Henri Fayol foi seu idealizador, se caracteriza pela máxima eficiência por meio da divisão do trabalho, autoridade, responsabilidade, unidade de comando, unidade de direção, disciplina, remuneração, centralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilidade, iniciativa e espírito de equipe;

Teoria dos Sistemas (1951): os trabalhos de Ludwig von Bertalanffy geraram a abordagem multidisciplinar do seu desenvolvimento, trazendo a visão de que ‘sistema organizacional’ é um conjunto de partes interdependentes que juntos formam um todo unitário, com objetivos e funções comuns.

Da mesma forma, visões contemporâneas como Desing Thinking, Closed and Open Innovation, Scrum, Lean, Kanban, Smart, Brainstorming, Scamper, entre outras, são partes desse universo de esforços do século XXI.

Afinal, o objetivo de otimização de recursos e maximização dos resultados não é novo e se transveste e evolui no tempo sob diversas formas, aparências, técnicas, métodos, abordagens, filosofias e teorias.

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Pasta de dente e ventilador, tudo a ver!

Conta a história, que nos anos 90 do século XX, uma grande multinacional de produtos de higiene passava por um problema sério na linha de produção de pastas de dente, com frequentes falhas de embalagens sem os referidos tubos dentro.

Esse problema causava o envio de lotes de produção defeituosos, e com consequências bastante negativas: quem não ficaria ‘p’ da vida com a empresa ao comprar uma caixa da pasta de dentes no comércio e, ao chegar em casa, descobrir que não existe o tubo de creme dental dentro?

Reclamações constantes, persistentes e verossímeis assombravam os corredores da organização, que exigiu anunciar uma verdadeira batalha para solucionar o problema, como dizemos hoje, constituir uma ‘sala de guerra’ para combater a falha.

Reza a lenda, que foram gastos R$ 8 milhões de reais com o projeto, que depois de alguns meses implantou um sistema altamente tecnológico na linha de produção, com a instalação de uma balança de precisão que detectava o peso das caixas, complementado por um braço mecânico que empurrava as caixas vazias para fora da esteira.

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Enfim, a solução resolveria o problema e tudo voltaria ao normal nos pontos de venda, a não ser por um detalhe, a cada detecção de caixa vazia, a linha de produção parava, o que ocasionou um problema adicional: diminuiu a produtividade e afetou o cumprimento das metas pela equipe de produção.

Desta vez, um investimento (uma vaquinha) de apenas R$ 80, do supervisor e funcionários da linha de produção, resolveu permanentemente o problema. Eles desligaram o sistema que parava a linha de produção e colocaram o ventilador na última etapa: quando uma caixa vazia passasse, ela seria arremessada para fora da esteira, simples assim!

Em suma, um bom exemplo de otimização de recursos e maximização dos resultados!

Sabão em pó e papel higiênico, tudo a ver!

A filosofia do ‘fazer mais com menos’ chegou ao século XXI e se estendeu aos clientes, por meio de produtos que se propõem a entregar esse benefício a seus usuários.

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Vejamos o exemplo das empresas que comercializam sabão em pó para uso residencial, que a algum tempo alardeiam em suas embalagens o mesmo resultado pós-lavagem de seus produtos, mesmo com uma quantidade menor de aplicação.

A princípio, parece ser uma ação bastante positiva das empresas, em levar eficiência aos clientes, com o consumo menor de produtos e consequente redução dos custos: redução do preço de venda ao consumidor.

Contudo, existe bastante dúvida e posições controversas quanto a esse racional e lógica de benefícios, basta dar um ‘google’ e se deparará com debates acalorados sobre a intencionalidade de tais organizações.

Em suma, se a intencionalidade for verdadeira, legítima e ética, é a extensão da filosofia de otimização custo x benefício de forma direta ao consumidor.

Do mesmo modo, caso interessante, intrigante e hilário, acontece com o papel higiênico de uso residencial, informando a mesma intenção de otimização para o usuário.

Observe que o produto com folha tripla possui 20 metros em cada rolo, comparativamente com o de folha dupla, que possui rolos de 30 metros. E o preço proporcional de ambos? Existe a otimização custo x benefício ao usuário?

Nesse caso, se aplicaria a lógica: higienizar mais com menos!

Executando o mantra da otimização.

Frequentemente nos deparamos com fórmulas mirabolantes, modismos e radicalismos quando o tema é ‘fazer mais com menos’, com resultados polêmicos, duvidosos e até catastróficos.

Em outras palavras, todo cuidado é pouco quando falamos em alterar processos, métodos, procedimentos, sistemas e maneiras de produzir bens e prestar serviços, tanto com questões internas quanto externas à organização.

Assim, alguns elementos básicos devem ser considerados quando o assunto for otimização de recursos e maximização de resultados, que não é simples cortar gastos e reduzir despesas de forma deliberada e sem avaliar os reflexos e consequências da decisão.

Portanto, alguns elementos e aspectos importantes devem ser considerados, de forma holística e sistêmica:

– Gestão dos custos (compras, estoque, logística, etc.);

– Administração da produção (bens e serviços);

– Gestão de pessoas (time, equipes e colaboradores);

– Gestão mercadológica (marketing, vendas, descontos, promoções, concorrentes, etc.);

– Administração de risco (mercado, imagem, financeiro, legal, etc.);

– Governança da TIC (tecnologia da informação e comunicação);

– Gestão da Inovação (imersão, ideação, prototipação, etc.);

– Governança dos clientes (lucratividade, satisfação, fidelização, recorrência, etc.).

Seja como for, três elementos são fundamentais e essenciais: (i) pessoas, (ii) processos e (iii) produtos/serviços. Não é uma simplificação excessiva, desmedida e irresponsável, trata-se da simplicidade com efetividade, de partir do simples para se chegar ao complexo.

Do mesmo modo, a inovação é outro elemento alavancador e potencializador da eficiência organizacional, diferenciação de mercado, vantagem competitiva e satisfação de clientes e funcionários.

Assim, fazer mais com menos significa desenvolver atividades com uma operação lógica mais inteligente, tanto para as pessoas na organização quanto para os clientes e consumidores.

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[1] MAXIMILIANO, Amaru. Teoria geral da administração. São Paulo, Atlas, 2012.

[1] CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Elsevier Brasil, 2004.

65 ▲—————————————————————————————————————

Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Pessoas, Gestão Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor do Livro “Educação Empreendedora no Distrito Federal”. Colaborador no Livro “O futuro é das CHICS: como construir agora as Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis”.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

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