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A Teoria de Chicó e as Etapas da Inovação

A Teoria do Chicó pode ser usada com resultados positivo ou negativo nas etapas do processo de inovação nas organizações.

Por Prof. Manfrim 20/02/2021 4h14
Fonte: Pixabay

Existe o consenso que a Inovação possui algumas etapas a serem percorridas e que o sucesso ou fracasso está relacionado a como se mover no caminho, e a Teoria de Chicó, pode nos ajudar a transitar nesse universo.

Afinal, quem é Chicó? Ora, o personagem da obra cinematográfica e literária “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, interpretado nas telas pelo ator Selton Mello, em uma das adaptações para o cinema. O filme completou 20 anos em 2020.

A história do filme gira em torno das aventuras e enrascadas dos personagens Chicó e João Grilo, que deixaram marcadas em nossa mente frases e jargões como, “Ô, promessa desgraçada. Ô, promessa sem jeito!” e “Depois que morre, todo mundo fica bonzinho!”.

Mas, a frese que marca bastante é “Não sei, só sei que foi assim!”, logo depois que Chicó viajava na imaginação, surfava na criatividade e flutuava nas fantasiosas histórias envolventes e audaciosas.

O personagem Chicó utilizava muito essa frase para justificar suas narrativas, fundamentar suas teorias, explanar os ‘porquês’ da problemática e corroborar a descrição do relato da história. Assim, deixava pouca margem para o incontestável e se propunha o inquestionável!

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Ora, eis que Chicó concebeu uma teoria no universo corporativo e das inovações, apoiada em três fundamentos: (i) suposição justificada, (ii) conjectura informativa e (iii) resultado pressuposto.

Teoria de Chicó nas Organizações

Provavelmente, Ariano Suassuna, com toda sua genialidade e talento, não imaginaria que a célebre frase de Chicó se aplicaria ao mundo corporativo, de forma pertinente e significativa.

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Nesse sentido, qual a relação de Chicó com o mundo organizacional? Vejamso:

– Fundamento nº 01: suposição justificada.

Em suas histórias, o personagem Chicó se baseia constantemente em suposições e hipóteses invariavelmente duvidosas e frequentemente questionáveis pelos interlocutores.

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As justificativas são controversas, carregadas de presunção da verdade e afirmativas discutíveis, causando desconfiança e incredulidade aos ouvintes.

De toda forma, os outros personagens aceitam a perspectiva de Chicó quando ele entoa a frase: “Não sei, só sei que foi assim!”.

No universo organizacional, quantas vezes nos deparamos com suposições para transformar uma ideia, inovação ou decisão em legítima. A conversão de ilação em veracidade pelas pessoas!

Igualmente, aplicam suposições para justificar e demonstrar veracidade com o objetivo de ganharem adeptos às argumentações. Eis os ‘Chicós organizacionais’ em ação! Eis as justificativas baseadas em suposições!

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Então, você conhece algum produto, serviço, processo ou inovação que nasceu e cresceu baseada em uma ‘suposição justificada’?

– Fundamento nº 02: conjectura informativa.

As narrativas do personagem Chicó frequentemente são envoltas de ações imaginárias, consideradas como realizáveis, deduzindo que os fatos efetivamente ocorreram, como contado.

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Além disso, as histórias consideram os acontecimentos como prováveis e baseados em deduções e indícios de serem reais, materializando as informações contidas na narrativa.

Eis, que no mundo organizacional a dedução toma forma e ganha força em várias salas, corredores e diversos ambientes, divagando entre informação real e fictícia das coisas, sem razoabilidade aparente.

Invariavelmente nos deparamos com profissionais divagando sobre algum tema apoiado em inferências e conjecturas evasivas, com dados desconexos, informações dúbias e resultados ambíguos.

Como podemos ver, não é possível tomar decisões confiando apenas em informações baseadas apenas em conjecturas. Eis os ‘Chicós organizacionais’ em ação!

Então, você conhece algum produto, serviço, processo ou inovação que nasceu e cresceu baseada em uma ‘conjectura informativa’?

– Fundamento nº 03: pressuposto resultado.

Os contos transmitidos pelo personagem Chicó costumam apresentar resultados rodeados de suposições de sucesso e de presunção de atingimento do objetivo proposto.

Constantemente, nos meandros das histórias, surgem soluções fascinantes e surpreendentes, deixando qualquer ouvinte entorpecido pelos mirabolantes resultados.

Igualmente, nos é familiar no universo corporativo alguns desses adjetivos e substantivos do mundo criado por Chicó, de inferência na efetividade de algumas soluções e nos supostos resultados positivos obtidos.

Acrescente-se a esse aspecto os diversos pretextos e subterfúgios com a intenção de dissimular os reais resultados, bem como, atribuir ao sobrenatural a frustração da ação.

Quantos esforços e recursos adicionais são colocados para referendar uma solução inicialmente sedutora e atraente, que magicamente resolveria tudo para todos, mas que não apresentou os resultados esperados.

Então, você conhece algum produto, serviço, processo ou inovação que nasceu e cresceu baseada em um ‘pressuposto resultado’?

Etapas da Inovação e a Teoria de Chicó

Antes de tudo, o personagem Chicó não deve ser demonizado por suas peripécias nas narrativas pois, existe um pouco de santidade nos contos transmitidos por ele.

A figura de Chicó também pode ser entendida como uma referência de conhecimentos, habilidade e atitudes desejáveis nos processos de inovação organizacional, onde podemos extrair as competências positivas do personagem.

Embora exista controvérsia quanto à utilização do termo ‘processo’ no universo da inovação, e não obstante a efetividade da junção desse substantivo ao verbo, adotei aqui por questão causal: Chicó & Inovação.

Dessa forma, descrevo o processo de inovação em cinco etapas distintas e conexas, a qual poderemos correlacionar as competências do personagem. Vejamos:

1. Identificação de oportunidades e problemas.

A primeira etapa do processo de inovação está relacionada à descoberta, encontro e clareza da oportunidade e problema, bem como, conhecer o ambiente em que está inserida.

O personagem Chicó tem vivência e conhecimento do universo envolvido no problema e na oportunidade. Isso clarifica seus pensamentos e potencializa sua criatividade na busca de soluções.

Pois bem, esse é o cenário que buscamos nas organizações e nos profissionais contidos nelas, de efetividade na identificação de oportunidades e na resolução de problemas.

2. Imersão sobre a oportunidade ou problema.

Nessa etapa, coletar, reunir e organizar dados e informações é primordial no processo de inovação pois, contribui para uma visão mais clara e objetiva da oportunidade e do problema, tanto na ótica interna e externa da organização.

Nesse sentido, o personagem Chicó se vale da experiência obtida na explosão do universo em que vive e do aprendizado obtido no ambiente diário de sobrevivência. Para ele, é ‘a vida como ela é’! É a ‘jornada’ da vida real!

Portanto, essa é a visão e informação que procuramos nos processos de inovação, da qual dedicamos recursos organizacionais e profissionais para obter, tão necessária e determinante ao sucesso.

3. Avaliação das informações e tomada de decisão

Essa etapa do processo de inovação envolve a triagem e filtragem de insight, ideias, dados e informações levantados anteriormente, tendo em vista que nem tudo pode ser aproveitado nesse momento ou no futuro.

Nesse aspecto, Chicó possui uma habilidade louvável em processar as informações que detém para conectar as oportunidade e problemas às soluções possíveis, mostrando uma visão sistêmica apurada e uma capacidade conectiva invejável.

Assim, o processo criativo para o aproveitamento de oportunidades e a solução de problemas fica facilitado quando as organizações possuem integrantes com tais habilidades.

4. Ideação e Prototipação.

A fase de ideação e prototipação é o momento de pensar e agir “fora da caixa”, de permitir aflorar ideias e expandir a criatividade. Experimentar para avaliar, melhorar, evoluir e aprovar.

O personagem Chicó, com sua capacidade imaginativa e conectiva o faz capaz de simular a aplicabilidade e ir testando e experimentando as soluções. A cada contar das histórias, ele testa o resultado da narrativa, e a vai moldando conforme o público.

Pois bem, procuramos nessa fase verificar como os usuários se comportam, pensam e sentem interagindo com o produto ou serviço, qual a inovação que melhor se adeque à necessidade dos clientes e mercados, qual a melhor solução para tal.

5. Realização.

Nessa etapa a solução ganha forma, vida e produção para explorar e escalar o mercado, atender os clientes e consumidores, criando valor e atraindo compradores, comercializando os produtos e serviços desenvolvidos.

Igualmente, Chicó também busca alcançar determinados resultados com suas narrativas, projeta e mede o efeito pretendido, a satisfação e a fidelização de seus ouvintes.

Outrossim, para as organizações, é a fase de observar os clientes e consumidores, medir os resultados alcançados, o retorno do investimento e a conquista de mercado, a junção de satisfazer, fidelizar e rentabilizar.

Eis que o personagem Chicó possui conhecimentos, habilidade e atitudes que muitos de nós procuramos aflorar e refinar profissionalmente no universo organizacional: intuição, hipóteses, insight, imaginação, criatividade, narrativa, jornadas, storytelling, inovação, entre outras.

Com isso, sugiro identificar os ‘chicós organizacionais’, para o bem ou para o mal nos artigos ‘Inovadores Narcisistas no ambiente organizacional’, ‘Altruísmo, uma competência para Inovadores e Empreendedores’, ‘Criatividade, a habilidade que liberta a Inovação’ e ‘Ideias, o ato criativo da inovação’.

“Não sei, só sei que foi assim!”

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Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Pessoas, Gestão Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor do Livro “Educação Empreendedora no Distrito Federal”. Colaborador no Livro “O futuro é das CHICS: como construir agora as Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis”.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

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