Siga o Jornal de Brasília

Playground

Teatro infantil trata da relação do homem com a natureza

Publicado

em

Publicidade

Quem é adulto hoje se lembra bem quando era criança e os mais velhos diziam: “se você engolir uma semente de fruta nascerá uma planta na sua barriga”. Essa e outras metáforas poéticas sobre a semente dão a tônica do espetáculo Sementes, que cumpre temporada em diversos parques do Distrito Federal, de 12 de agosto a 30 de setembro. As apresentações são gratuitas, sempre às 11h e aos domingos, para crianças a partir de quatro anos. A primeira será no Parque Águas Claras.

No palco, entra em cena a atriz Caísa Tibúrcio, a criadora do espetáculo que se inspirou nas lembranças de uma brincadeira de criança. Ela explica que a relação com a natureza é fisiológica e constante na apresentação. “As sementes, as frutas, as flores compõem o mosaico natural e o ambiente lírico das cenas. O resultado desse mergulho nas memórias das histórias infantis foi essencial para a montagem do meu solo, que fala e discute questões ambientais de maneira bem poética”, revela.

Ela conta ainda que a história fala sobre as possíveis sementes da vida, das organizações, dos desejos, dos sonhos, da arte. “A metáfora de plantar e cuidar de uma semente é explorada ao máximo. A personagem é uma plantadeira imperturbada e mostra que todos nós podemos ser terreno fértil para germinar desejos incríveis; podemos ser cuidadores de projetos, pessoas, encontros, sementes”, ressalta a atriz.

Projeto socioambiental
Vale destacar que o projeto “Sementes nos parques” acontece no período em que se comemora a Semana do Cerrado e que, logo após as apresentações, haverá uma vivência ambiental, onde as crianças irão plantar sementes de jatobá (planta típica do bioma da região Centro-Oeste) – sem agrotóxicos e com alto percentual de germinação – num vaso que é totalmente biodegradável.

“O projeto propõe uma vivência de educação ambiental com crianças e familiares sobre o ciclo de vida da semente, seu cultivo e o manejo da terra guiado com monitores e técnicos especializados”, informa Caísa Tibúrcio.

A preocupação com o meio ambiente está presente até no material de divulgação impresso, confeccionado também com papel biodegradável e com sementes incrustradas. Isso significa que o folder com toda a programação pode ser plantado e dar lugar a uma linda margarida ou a um pé de cenoura. Já a cartilha de educação ambiental será impressa em papel reciclado. Haverá também coleta de lixo e resíduos produzidos durante as apresentações e oficinas.

Será uma ótima oportunidade para falar, entre crianças e adultos, sobre a relação do homem com a natureza e a sua preservação, discutindo a conscientização ecológica de uma maneira especialmente poética, por meio do teatro.

Evolução com o tempo
A partir da metáfora poética da semente, Caísa Tibúrcio criou um número de palhaça em 2014 e, com ele, participou da III edição do TPMs – Temporada Internacional de Palhaças no Mês da Mulher e do IV Encontro Internacional de Palhaças de Brasília, nesse mesmo ano. Durante dois anos de brincadeira com as sementes, as explorações com esse tema ficaram cada vez mais íntimas e fortes ao mesmo tempo em que os desafios, a paixão e os aprendizados com a arte da palhaçaria foram crescendo. Até que, em 2016, a metáfora da semente foi ganhando proporções e significados maiores e o trabalho recebeu várias influências.

O filósofo Gaston Bachelard, a história e poesias do amigo e escritor Wilson Pereira, autor do livro infantil “Meu pé de poesia”, as metamorfoses naturais presentes na poesia de Manoel de Barros, a figura mítica Maira Jatobá; de Helena Oliveira, a música de Luiz Gonzaga, o conto “A maior flor do mundo”; do escritor português José Saramago, e a obra “Marcelo Marmelo Martelo”; de Ruth Rocha foram referências primordiais e contribuíram para a finalização do espetáculo.

“A construção de Sementes foi um processo criativo diferente, pois a maturação e criação das imagens poéticas foram elaboradas durante apresentações e movidas pelo desejo artístico de trabalhar com o feminino, com a figura da mulher camponesa ligada à terra e às ancestralidades culturais”, comenta Caísa. Segundo ela, durante as pesquisas, a percepção da força poética que há na metáfora da semente veio com a informação de que a agricultura começou por meio da mulher. “Quando a mulher/mãe percebeu que plantando sementes, o alimento dos filhos estaria garantido, que a vida poderia continuar”, completa a atriz.

Para organizar todas os novos sonhos e desejos poéticos, Caísa Tibúrcio chamou a artista Ana Flávia Garcia para, em conjunto, criarem a dramaturgia do espetáculo, o músico Lucas Tibúrcio para assinar a direção musical e o artista Roustang Carrilho para fazer a direção de arte.

Em 2016, Sementes fez temporada no Teatro Plínio Marcos – Funarte/ DF com apoio do edital Cena Aberta. Também integrou a Mostra Teatral da Feira do Livro de 2016, do Distrito Federal, Festibra (Festival de Teatro para a Infância) e Bienal Internacional do Livro. Participou ainda do Prêmio SESC de Teatro Candango de 2016, indicado a categoria de melhor espetáculo infantil, e foi selecionado para integrar o Festival Internacional Cena Contemporânea em agosto de 2017 e o Festival Palco Cerrado em 2018.

Sinopse
Em um pedaço de terra seco no interior do mundo, uma mulher se encontra sozinha. Carrega em sua bagagem a simplicidade, o sonho e alguns poucos objetos “encantatórios”. De repente, coisas mágicas passam a acontecer. Será que ela está mesmo sozinha?

Das lembranças de menina, de quando a semente brotava do próprio ser, nasceu essa poesia. Vem do começo da vida, do sonho. O espetáculo é uma brincadeira que serve para experimentar o mundo sob o signo de uma semente, para ter a chance de cheirar as flores imaginadas, para dançar e ouvir a música dos canarinhos, para comer a fruta nascida dos devaneios da infância, para afirmar a liberdade do sonhadário.

Serviço:
Sementes nos parques
Apresentação gratuita às 11h
Vivência Ambiental gratuita depois do espetáculo. A oficina com plantio é limitada a 30 vagas. Inscrições no local, por ordem de chegada, com distribuição senha a partir de 10h.

Programação:
12 de agosto – Parque Águas Claras
19 de agosto – Parque Três Meninas (Samambaia)
26 de agosto – Parque Ecológico de São Sebastião
02 de setembro – Parque Jequitibás (Sobradinho)
09 de setembro- Parque Olhos d’água (Asa Norte)
16 de setembro – Jardim Botânico de Brasília (Lago Sul)
23 de setembro- Parque da Cidade (Plano Piloto)
30 de setembro – Parque Saburo Onoyama (Taguatinga)


Você pode gostar
Publicidade