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Moda

Marcas independentes promovem movimento anti-Black Friday e pregam consumo consciente

Marcas do segmento slow fashion, que defendem uma moda atemporal e nunca participaram do evento, decidiram marcar posição neste ano

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Sheyla Santos
Brasília, DF

Pequenas empresas de moda independente têm aproveitado as vésperas da Black Friday para se posicionar contra o consumo desenfreado.

Marcas do segmento slow fashion, que defendem uma moda atemporal e nunca participaram do evento, decidiram marcar posição neste ano e explicar aos clientes que não irão aderir ao movimento, seja pela falta de insumos, agravada pela pandemia, ou por ativismo sustentável.

Juliana Burd, fundadora da Studio Nó, de São Paulo, afirma que não está no mercado para seguir o exemplo de grandes empresas. Ela conta que a marca nunca realizou promoções na Black Friday. Por trabalhar com margem de lucro pequena e investir em uma cadeia de produção consciente, afirma, o formato da Black Friday não é sustentável para pequenos negócios.

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“Nunca fez sentido porque a gente nunca trabalhou com descontos enormes. Quando precisa fazer promoções sazonais, a gente dá descontos por um ou dois dias e atrai novos clientes”, afirma.
Burd diz que a marca não se atém às datas comemorativas do varejo. Mesmo trabalhando com menor estoque e produtos 100% nacionais e atemporais, ela sofre com a falta de insumos.

“Falta fio do algodão, linha de costura. Defendo o discurso de que estou conseguindo contornar o problema. Vejo um movimento de marcas menores e independentes online nesse sentido de não aderir [à Black Friday]. No movimento slow fashion, há uma certa exclusividade nas peças e não tem essa pegada de ter muito estoque”.

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De acordo com Ulysses Reis, coordenador do MBA de Gestão de Varejo da FGV, neste ano há um movimento atípico no varejo por causa da falta de insumos causada pela pandemia.

“Empresas que são muito pequenas trabalham com o estoque muito reduzido, e a pandemia agravou o problema. Como está faltando matéria prima, elas estão com menos estoque ainda”, afirma.

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O especialista diz que a falta de matéria-prima fez com que pequenas empresas freassem as vendas para ter produtos para vender no Natal.

“É preferível até vender um pouco mais caro para ter mais estoque e manter a imagem. Se chegar o Natal e elas não tiverem como satisfazer o cliente, a marca pode se queimar”.

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Para Reis, o efeito da pandemia sobre as grandes marcas também impactou as pequenas empresas.

“Grandes empresas têm parceiros de produção melhores, contratos maiores e conseguem garantir mais insumos. Assim, o fabricante das grandes deixa de mandar matéria-prima na pandemia para os pequenos”, explica.

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Beatriz Berta, sócia da Umê Kimonaria, é outra empresária que decidiu se posicionar contra a Black Friday.

“Em 2019, a gente nem cogitou participar. A marca já estava madura no mercado para entender o que a gente vinha pregando para o nosso consumidor. A Black Friday é sobre consumo desenfreado, e a gente prega o consumo consciente”, afirma.

Em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, a marca Libe Store, também adepta da moda atemporal, aproveita a semana da Black Friday para realizar pelo segundo ano uma “Best Friday”: durante três dias a marca abre mão do lucro das peças.

Para dar conta do evento, a fundadora Marla Tassiana afirma que trabalha com peças sob encomenda e com limite de 150 peças. O diferencial deste ano em relação a 2019 é a divulgação nas redes sociais de custos de produção, como matéria-prima, mão de obra e despesas fixas.

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“Nosso limite produtivo não é alto. Este ano a gente decidiu fazer uma campanha baseada na conscientização e na transparência”.

Marla diz que com este movimento pretende transformar o consumo consciente mais acessível.

“Compro em pequenas quantidades, valorizo as costureiras, então realmente a nossa margem é bem baixa. A gente sabe que é um nicho que tem acesso. Nossa luta é para tornar o slow fashion mais acessível”, defende.

As informações são da FolhaPress




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