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Em Milão, desfiles virtuais acontecem para salvar a moda

Com uma presença muito pequena de compradores internacionais, com pedidos chegando às lojas seis meses depois, as marcas buscam reativar o setor com encontros virtuais personalizados

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Por Isabelle SCIAMMA

Os desfiles virtuais roubaram a cena com duas grandes marcas, Emporio Armani e Prada, na Semana de Moda de Milão, em resposta à crise que atinge o setor por causa da pandemia.

A indústria da moda ampliou sua presença nas mídias digitais através do TikTok, Instagram TV e YouTube, além de criar algumas páginas especializadas, como a lançada pela grife Armani, para apresentar a nova coleção de sua linha Emporio.

Filmado na sede da histórica marca em Milão, o vídeo mostra as modelos, mas também traz atores, cantores, dançarinos, que vestem peças da nova coleção chamada “Construindo Arquitetura”.

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Ângulos incríveis feitos com o uso de drones, coreografias e efeitos especiais foram usados para apresentar as novas coleções.

Seria essa proposta tão eficaz quanto um desfile?

A marca Prada tentou responder a essa pergunta algumas horas depois, transmitindo um desfile pré-gravado.

“É uma situação estranha, esta é a nossa primeira coleção assinada com Raf Simons e em vez de estarmos com o público (…) estamos sozinhos, nesta sala. Mas a verdade é que nunca tivemos um público tão grande, algo que é novo para mim”, comentou Miuccia Prada durante uma conversa ocorrida no final do desfile.

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“Durante o confinamento percebi a importância da tecnologia em nossas vidas, antes tendia a ignorá-la”, confessou a estilista.

– Setor em crise –
“Mais do que tudo, com o vídeo tentamos mostrar as roupas”, explicou.

Trata-se da resposta dos estilistas à crise no setor, principalmente por conta da desaceleração da economia e por não haver um horizonte claro para o retorno à normalidade.

O segundo setor industrial mais importante da Itália também é importante a nível europeu.

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“A península produz 41% do faturamento da moda da União Europeia”, ressaltou o presidente da Câmara de Moda Italiana, Carlo Capasa, durante a abertura dos desfiles milaneses.

Vítima dos efeitos colaterais da pandemia de covid-19, o mercado italiano perdeu 30% do seu faturamento no primeiro semestre do ano.

E apesar dos sinais de recuperação na China, a incerteza persiste por causa dos novos surtos em muitos países, e do endurecimento das medidas de isolamento, que estão impedindo os pedidos dos varejistas, com um efeito dominó em todo o setor.

Com uma presença muito pequena de compradores internacionais, com pedidos chegando às lojas seis meses depois, as marcas buscam reativar o setor com encontros virtuais personalizados.

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“O virtual não substitui a emoção que desencadeia fisicamente o comparecimento ao desfile, mas é graças ao digital que o setor consegue aguentar”, reconhece Capasa.

Por sua vez, o e-commerce explodiu.

“Durante o confinamento, 24% das compras na Itália foram feitas online, por pessoas que nunca haviam comprado online. A Semana de Moda de Milão também foi o evento que registrou a maior participação de pessoas por via digital”, acrescenta Capasa.

Em julho, 16 milhões de usuários participaram da primeira edição digital. Milão pretende ter desta vez um total de 20 milhões de telespectadores.

 

© Agence France-Presse




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