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Rlick Santos: “Trabalhamos pela preservação dos direitos dos seres humanos”


Rlick Santos é o atual secretário-executivo dos conselhos do Ministério dos Direitos Humanos. A pasta conta com seis colegiados de temáticas variadas, como igualdade racial, direito dos idosos, criança e adolescente, público LGBT e pessoas com deficiência, dentro de um contexto da pauta de direitos humanos. De acordo com ele, a atividade requer disposição para enfrentar preconceitos, pois muitas pessoas não compreendem ou discriminam essa pauta. Nascido em Lauro de Freitas, na Bahia, Rlick Santos explica que a oportunidade de estar na atual função foi resultado de sua militância com juventude, movimentos negros e na defesa do respeito religioso com foco no segmento de matriz africana. “Sou filho de Oxóssi”, explica.


A opção pela atuação politica ocorreu de que forma?

Lauro de Freitas, situada na região metropolitana de Salvador, foi meu ponto focal. Fui parte dos movimentos de juventude da cidade. Depois ingressei na militância negra do Estado da Bahia. Eu estava saindo da juventude por causa da idade. Então é interessante, você enquanto jovem tem limite, mas enquanto negro, obviamente não. Vou morrer negro. Eu também tenho um ativismo na religião, em prol dos povos de matriz africana, de que sempre participei. Sou do candomblé, sou filho de Oxóssi, dentro do nosso rito de Ketu.

Podemos explicar sobre esse conceito de Ketu?

Ketu quer dizer o povo do Ketu. No candomblé tem três segmentos, além da minha nação existe Angola e Jejê. Ketu também chamado de Nagô é a maior e a mais popular nação” do candomblé. No nosso costume cultuamos Rei De Ketu, Oxóssi, que é o meu orixá.

Logo, você tem um laço estreito com a religiosidade?

O tema religioso é uma das nossas prioridades, pois a intolerância é ainda muito forte no nosso país. Tenho conversado com os religiosos de matriz africana que está na hora de nos unirmos, para que possamos ter representantes em todos os poderes, quer dizer, sobretudo no Legislativo e no Executivo. Hoje nós estamos sem voz para nos defender. Nunca ouvi dizer que um deputado estadual ou federal se apresente como um babalorixá ou se identifique como um religioso de uma casa de santo. Então o preconceito precisa começar a ser combatido por aí.


A Secretaria-Executiva sob sua responsabilidade tem que missões?

Na Secretaria-Executiva damos suporte a seis conselhos e estamos recebendo um novo, o de povos e comunidades tradicionais. Nosso papel é acompanhar as políticas. O conselho faz a interlocução com conselheiros, com o gabinete do ministro. Damos subsídios para a atuação que os colegiados façam da melhor maneira o seu papel de controle social.

Quais são os desafios de atuar com a pauta de direitos humanos?

Ahh, eu já ouvi dizer assim: você trabalha com direitos humanos, portando defende bandidos? Até mesmo alguns conhecidos dizem isso. Muitas pessoas acabam nos discriminando, por entenderem que existimos para defender criminosos. Quem pode e deve definir quem é criminoso é a Justiça. É preciso entender que defendemos os direitos dos idosos, das crianças e adolescentes das comunidades tradicionais. Nós trabalhamos com a preservação dos direitos dos seres humanos. Essa é a nossa pauta. É levar a politica de Estado para garantir o direito das pessoas.


Nesse momento, o que você salientaria entre suas atividades?

Entre várias ações, gostaria de ressaltar um programa que foi organizado em parceria do Ministério da Justiça e Ministério dos Direitos Humanos. O foco é levar uma mediação rápida de conflitos em todas as capitais, soluções para conflitos quotidianos, briga de vizinhos, intolerância de transito, acidente de trânsito, homofobia, xenofobia. Levamos instrução e sensibilização entre a sociedade civil e agentes da Segurança Pública para que esses conflitos sejam resolvidos na comunidade, na localidade, sem ser necessário chegar ao extremo de o caso ser levado à delegacia ou ao Judiciário. Abordamos líderes religiosos, pessoas mais velhas para colaborarem com essa meta.

Divulgação

Imagens do curso em Boa Vista, Roraima

O programa está em que fase?

Estamos na 15ª oficina. É um grande desafio, mas temos uma condução especial com esse tema. Você reunir pessoas da sociedade e profissionais da segurança num só espaço é desafiador, mas temos resultado muito bons. Já recebemos vários ofícios dos estados e prefeituras solicitando que o programa volte. Temos demonstrado que a sociedade e a segurança podem andar juntas para resolver esses assuntos todos.


Qual é sua origem familiar?

Sou filho de Valdineia dos Santos e Valdomiro dos Santos. Nasci em Salvador, mas fui criado no município de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. Sempre participei dos movimentos sociais, desde a época do grêmio estudantil, no ensino médio, aos 16 anos de idade. Ingressei na carreira política por meio dos movimentos políticos. Fui servidor da secretaria de sérvios públicos do município. Tive oportunidade de crescer na estrutura dentro de trabalhos técnicos.


O que pode falar de Lauro de Freitas, a cidade em que cresceu?

Lauro de Freitas é uma cidade litorânea, que vai de Pitanga a Praia de Buraquinha. É um município que vem enfrentando várias dificuldades nesse momento político que o Brasil enfrenta. Mas tem um complicador, a criminalidade vem crescendo muito. É a quarta mais violenta do país, a meu ver por falta de politicas públicas pertinentes. É uma cidade em que o povo é muito hospitaleiro, simples humilde, pessoas que se respeitam. O problema hoje, insisto, é o crescimento da criminalidade. Quero dizer que tenho sonho de um dia ser prefeito de Lauro de Freitas e ajudar a resolver essas questões.

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