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Mandando a Letra

Uma crise na Educação

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A produção escrita de uma pessoa, bem como a forma como fala, também é uma demonstração da inserção no conhecimento que se tem. Claro que temos os níveis da linguagem, como um bate-papo de rede social ou um bilhete deixado para o filho, mas quero falar de uma característica mais formal, como uma prova na escola.

Uma história desalentadora

Uma amiga relatou seu contato com as provas da filha, que está no ensino fundamental de um colégio, e seu consequente espanto com o que leu. Você deve estar esperando eu dizer o quanto ela ficou decepcionada com o nível de conhecimento da filha, não é mesmo? Nada disso. A escrita dos comandos das provas é aterradora. Sim, aquilo que é produzido pelos professores.

Ela comentou os problemas nas provas de matemática, ciências e outras. Mas o que deixa a gente mais triste é que também havia uma série de equívocos primários em termos de gramática em avaliações de língua portuguesa. Não estou falando de análise aprofundada no campo da norma padronizada não. Enfatizo: erros primários.

Alguns exemplos

Ela destacou algumas ocorrências que sabemos haver especialmente nesse âmbito de redes sociais de que falei acima, os quais são criticados bastante. Coisas como “não esqueça de dá um título” (nem quero lembrar o fato de que o verbo esquecer, aí, deveria estar na forma pronominal – “não se esqueça”). Esse “dá” (em vez de dar) é recorrente na informalidade das redes sociais.

Ocorre que, vindo de um docente de língua portuguesa, e em um ambiente bastante monitorado, mais formalizado, é de nos deixar desalentados no tocante à passagem de conhecimento específico da norma padronizada (o tal português como segunda língua – já que a primeira é a materna) para as nossas crianças.

Encontramos fatos como “Certa vez. Paulinha estava…”, “antes de responde-las”, “risque a silaba”, “leia as palravas”. Espero que você reconheça os equívocos nos trechos. Alguns só de revisão, mas uma falta grave, considerando o nível de formalidade do documento.

Passado e futuro

Todo mundo erra, nós sabemos. Mas a quantidade e a qualidade dos erros nos mostram algo. Esses professores, evidentemente, foram mal formados. Uma série de razões leva a isso. Quando escolas também pagam mal, bons professores são pescados por outras que conseguem valorizá-los.

As crianças que não compreendem que há campos mais monitorados ou mais formalizados da linguagem, em que se exige mais conhecimento dessa gramática padronizada, para uma tentativa de uniformização da compreensão, já na tenra idade, terão sérias dificuldades no futuro em várias áreas. A mudança urge.


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