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Mandando a Letra

Um pouco de plurais

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Muitas vezes, o que pode parecer fácil, na verdade, não é tanto assim. Claro que isso se aplica a situações em que há uma regra geral que, atreladas a ela, conta com as famosas exceções, cheias de características de armadilha. Assim funciona a variação de número. Estou falando dos plurais.

Padrão de flexão de número

Singular e plural. Essas são as variações que temos para número como regra geral. O português conta com a terminação -s para fazer a demonstração do plural como regra básica. Por exemplo: casa (singular), casas (plural). Note o -s no fim da palavra. Mas isso todo mundo já sabe e é bastante lógico. Minha filha de 5 anos põe o -s no fim de tudo e compõe seu plural facilmente. Mas, até ela já percebeu que quando se trata de palavras que terminam e -ão, o buraco é mais embaixo. Falaremos disso depois.

Ocorre que, para algumas palavras, você tem a já comentada exceção, por uma série de razões. O plural de lápis é lápis mesmo, não modifica a palavra, mas o s no fim deixa tudo meio lógico. Mas o que fazer com palavras que terminam com l, como pastel? A primeira tentativa na regra geral seria “pastels”. Mas, temos pastéis. Com júpiter também dá dúvida. Coloca aí uma vogal de ligação e o famoso s, e teremos o quê? “Júpiteres”. Acontece que foi criada uma palavra “preproparoxítona”. Vai pro existente proparoxítono e teremos jupíteres. Agora sim. Mas e as palavras que terminam em -ão?

Escorregar é fácil. Compreendam.

Semana passada, deparamos com a tentativa de plural de cidadão com a palavra “cidadões”. Naturalmente, houve uma enxurrada de críticas, especialmente por ter sido proferida por alguém ligado à área de educação. Entretanto, o fato mostra que a situação não é tão fácil. Amigos meus declararam que depois pensaram: “Como é mesmo o certo?”. Ainda que sentissem que havia algo errado. Opções: cidadãos ou cidadães? E agora?

Os plurais de palavras que terminam em -ão apresentam variações. O básico que sabemos são -ãos, -ões e -ães. Geralmente, uma maioria de plurais se faz com -ões. Então, quando se foge disso, o erro é mais comum. Aliás, foi o que ocorreu. Se a sílaba tônica não está no –ão, é costume somente acrescentar o -s. A palavra bênção pode também ser escrita benção, sabia? A pronúncia é diferente e o plural também. Sabe como fica? Para bênção, bênçãos; para benção, benções. Não é tão simples, não é?

Surgiu outra confusão

Na brincadeira, muita gente disse que a intenção era falar o aumentativo plural de cidade: “cidadões”. Mas, espera aí. Cidade é uma palavra feminina. Esse plural está mais masculino. Portanto, o plural aumentativo de cidade deveria ser: cidadonas. E o feminino de cidadão, você sabia que pode ser cidadã e cidadoa?

Algumas palavras têm duas formas de plural também. Servem como exemplo anão, que tem anões e anãos; e guardião: guardiães ou guardiões.


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