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Mandando a Letra

SABE O QUE É TOMADA DE TURNO?

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Sabe aquele momento em que você está numa conversa e alguém te interrompe sem permitir que sua linha de raciocínio termine? Então. Essa é a tomada de turno. É quando alguém rouba a sua vez de falar ou nem deixa que termine sua simples frase.

Estudos da linguagem

Na análise de discurso crítica (ADC), estudamos a relação da linguagem com a prática e o contexto social em que os falantes estão inseridos. A partir dessa observação, podemos compreender como a fala demonstra a forma de convivência e de pensamento das pessoas, bem como entendemos que essa compreensão e a consequente mudança na prática discursiva podem ajudar a mudar a relação entre as pessoas.

Dentro de todo esse esforço de entendimento desse fenômeno, percebe-se que a língua também passa pelas relações de poder. Sendo assim, a forma de falar, seja com escolha de palavras e até de organização sintática, depende do ambiente em que se está e até mesmo com quem se fala. A tomada de turno faz parte dessa realidade, quando vemos que está relacionada com o jogo de poder entre os falantes.

Instâncias de poder

As formas de exercer poder em nossa sociedade são bastante conhecidas. Algumas veladas e que contam com mecanismos de amenizá-las, mas estão aí entre nós. Uma delas é a relação com crianças, com pessoas de poder econômico inferior, com formação acadêmica deficitária, com idosos, com mulheres, com aqueles que estão em posição social inferior, em número menor, etc.

A pré-canditada à Presidência da República Manuela D’Ávila, em um programa de tevê, foi interrompida perto de 70 vezes. Em comparação a um candidato homem, que foi interrompido muitíssimo menos (e outro que só o foi uma vez), percebeu-se que ocorreu por ser mulher. Eu ainda vejo que, além disso, houve o fator de ser mais jovem. Com essas atitudes, vemos que a linguagem, com a tomada de turno, mostra a relação de poder. Você cortaria seu chefe numa reunião de trabalho? Ele roubaria sua vez de falar facilmente, ou não?

Roubei a sua vez

Quando alguém está conversando e tem mais segurança de tomar seu turno, falar por cima da sua voz e ter a certeza de que você vai se calar para terminar de ouvi-lo, está demonstrando a confiança de que é mais importante que você. Pode ser, também, que, no meio do grupo, queira demonstrar ter mais força.

Isso pode ser estratégia, no caso com crianças que querem teimar com o pai (evidenciando autoridade, não somente autoritarismo) ou entre policiais e transgressores da lei, por exemplo, mas, na maioria das vezes, é abuso de poder dentro das formas como se organiza a sociedade, como falamos acima: mulher que se cale na igreja, jovem não entende de política ou sem doutorado não sabe nada. É uma situação a ser observada ou não?


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