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Mandando a Letra

Quem tem medo de palavrão

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Em algum nível, creio que todo mundo tenha medo de palavrão. Muitas vezes as pessoas temem soltar um no momento errado e com pessoas que não deveriam ter contato com ele, mas a apreensão também passa pelo fato de algum acompanhante quebrar essas regras, mais sociais que discursivas.

Mas, enfim, o que é um palavrão?

Nem vou perder tempo classificando palavrão como aumentativo de palavra. Bem, já perdi. Não tempo, mas um precioso espaço aqui neste JBr. O dicionário nos aponta seu significado como palavra grosseira e/ou obscena. Pode ser, também, chamada de palavra de calão, um linguajar obsceno.

Ocorre que um termo pode ser considerado palavrão por algumas pessoas e por outras, não. Nesse particular, essa diferença pode se dar por questões geográficas, etárias e até de estrato.

Ao longo do tempo

O que é uma palavra obscena hoje nem sempre pode ter sido. Pessoas podem falar algo que não lhe estranhem, mas cause risadas para outras. Não somente porque são maldosas, mas porque estão em outro tempo. Como exemplo, deixarei um hino cantado em várias igrejas cristãs intitulado “Glória típica do céu”. Cantando, pela separação da métrica da música, fica algo como “Glóriatiiiiii… pica do céu”. Muita gente ri. Natural.

Ocorre que logo surge a pergunta: “Por que alguém faz uma música assim e não percebe que surgiu essa palavra grosseira”? A verdade é que a composição data de uma época em que a palavra “pica” não tinha tal significado e, sem dúvida, não trazia esse estranhamento. É ou não palavrão?

Em lugares diferentes

Há um radialista bastante conhecido, que tem um programa no Nordeste, por ligar para as pessoas e tratá-las pelos apelidos que seus “amigos” indicam. Mução traça altos debates pelo telefone e logo um xingamento curioso para nós se apresenta: “Filho de rapariga”.

O curioso para mim foi que o rádio coloca aquele característico apito em “rapariga”, mas quando o xingamento é “seu porra”, não há a censura (eu mesmo nem pude colocar os pontinhos, desculpem. Vocês poderiam confundi-lo com outro nome). É ou não palavrão?

Estratos e moralismos

Sobre os estratos (as camadas diferentes da sociedade), temos exemplos até em músicas. Muita gente estranha o linguajar do outro, e o espanto contrário pode ser com relação ao que o diferente reclamou “coisa tão comum”.

Para mim, pra finalizar essa breve reflexão, tudo passa pelo registro: saber onde fala, pra quem fala e quando fala. Algumas coisas não são adaptadas ao público onde está. Essa habilidade deve ser desenvolvida e cultivada. Não devemos condenar as palavras, afinal. Elas têm sua utilização, mas não abuse.


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