Siga o Jornal de Brasília

Mandando a Letra

Pra falar do (não tão) Novo Acordo

Publicado

em

Publicidade

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já não precisaria mais ser chamado de “novo”. É claro que essa nomenclatura persiste em comparação ao anterior, que data de 1971. Você sabia?

Uma breve história dos Acordos Ortográficos

De antemão, note que a língua portuguesa que escrevemos e que falamos em ambiente mais monitorado é aprendida como uma segunda língua. A linguagem chamada de “materna” tem a ver com o que você desenvolve em ambiente familiar, sem cobranças, desde que seja compreendido. É algo natural.

Por isso mesmo, eu chamo isso de norma padronizada (alguém criou o padrão). Os Acordos Ortográficos nada mais são do que isso. Conforme o tempo vai passando e surge a necessidade de ajuste, nascem os acordos. Esse último levou em consideração uma reunião dos países que falam português para negociar uma padronização.

As resistências são normais

Não é difícil de entender as resistências que persistem às mudanças. Sempre alguém que viveu em outra época vai considerar seu tempo mais maravilhoso. “Estragaram as regras”, eu já ouvi. “Era muito mais fácil”, outro afirmou. É lógico que, se alguém viveu anos sob a égide de uma norma, terá resistência ao novo.

Antes do Acordo de 1971, sob o qual muitos de nós escrevemos, havia a regra do acento grave em sílaba pretônica, você sabia? Pra quem ainda não visualizou, temos o exemplo com café, palavra oxítona que, no diminutivo, vira “cafezinho”. Tornou-se paroxítona, nesse caso, sem acentuação. Mas no Acordo anterior, escrevia-se “cafèzinho”. Ainda paroxítona, tinha esse acento grave marcando a sílaba pretônica. Assim era também “pèzinho” e outras. Quem escreveu assim até 1971 também protestava, imagine.

Melhoram algumas coisas, dificultam outras

É normal acharmos mais difícil entender novas situações, especialmente sem verificar as explicações. Não adianta se revoltar, aliás, já faz quase 30 anos de sua primeira versão, quando começou a negociação para entrar em vigor (1990). Seu caráter facultativo perdurou até 2011, para que desse tempo à adaptação. Depois ainda se estendeu mais e, hoje, podemos dizer que, por ajustes de editoras, jornais, revistas e órgãos públicos (inclusive concursos), a massa, em geral, já conhece a maioria dos termos.

Eu posso afirmar, por comparação, que as regras de prefixos estão mais simples. Hoje são normas gerais (com exceções, claro, para animar nossa vida). Antigamente, havia regras quase para cada prefixo. A supressão do trema trouxe simplicidade nesse caso, ainda que haja protestos para facilitar a pronúncia. Isso é normal. Os outros países também têm seus protestos. Quando a gente acostumar, já vai ter mais um Acordo pra revoltar o povo.


Você pode gostar
Publicidade