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Mandando a Letra

Peças do gênero gramatical

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Veremos mais uma prova de que a língua é viva: um substantivo que tinha divulgada somente uma forma para masculino e feminino tem jeito diferente para mulheres. A partir disso, vamos, também, ver algumas armadilhas do gênero gramatical.

A membra já se libertou

O substantivo membro já se livrou das amarras e resolveu dar as caras a sua forma feminina “membra”. Isso aprendi conversando com o amigo Rev. Marcos Medeiros sobre essa dúvida, afinal, na igreja, somos orientados que mulheres integrantes de grupos são, também, membros.

Com uma simples consulta a dicionários e, mais ainda, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, encontramos o vocábulo “membra”. Claro que a palavra membro designando partes do corpo, por exemplo, não comporta forma feminina: a perna é membro do corpo, sacou? Mas é bom ressaltar que o feminino membra está registrado somente como “pouco usado”, portanto, parece que havia um mito nesse particular. Dessa forma, “Maria é membra daquela igreja há 15 anos” é uma expressão correta.

O caso da todo-poderosa

Esse é outro lexema que traz dificuldades para falar e escrever. Claro que dá aquela vontade de falar “toda-poderosa”. É normal que nossa mente coloque logo aquele característico “a” do feminino quando pensamos em termos para as mulheres.

Mas, pensando mais um pouco sobre a palavra, vamos ver que o “todo” é um advérbio, palavras que modificam adjetivos, verbos e até outros advérbios, caracterizado por não variar em gênero e número. Portanto, somente o “poderoso” concordará em gênero feminino, ficando todo-poderosa. É equivalente a “muito poderosa”, “completamente poderosa”.

E o que fazer com o transgênero?

Não sei se já contei aqui, mas essa ânsia de cumprir o apelo de acrescentar sempre o gênero gramatical feminino para dar a impressão de inclusão já causou situações esquisitas. Em uma, a senadora Vanessa Graziotin falou que a presidenta era “inocenta”. Em outra, numa reunião, uma pessoa perguntou se todos estavam “a postos e a postas”.

Do mesmo jeito, ouvi alguém incluir que havia naquela situação vários “transgêneros e transgêneras”. Pecou. A palavra gênero não tem forma feminina. O gênero foi alterado pela pessoa, por isso ela é “transgênero”. O gênero não virou “gênera”. Não é mesmo?

Todavia, como começamos dizendo que a língua é viva, quem sabe admitam o vocábulo com outra avaliação e façam a flexão. Não sei. Mas hoje ainda não. Para ele e ela se usa transgênero. De bispo, já temos bispa. De membro, pelo visto, sempre teve membra. Olho vivo! E quanto a mim, como falei em outra oportunidade, rebelo-me e confronto diaconisa com minha “diácona”.


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