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Mandando a Letra

Palavras difíceis ou desconhecidas

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Para muita gente, é mais importante a eloquência do que a comunicação em si. Para comunicar bem, quem escreve ou fala precisa saber bem o tema, a sua própria capacidade para transmitir o pensamento por meio da escrita ou do discurso falado, bem como compreender a sua audiência ou seus leitores.

Veja esta pequena história:

Quem vê cara…
Por que mostrar toda essa prosápia se todos somos iguais? Essa era uma pergunta que ficava para quem conhecia Givanilda. Ela era terrivelmente orgulhosa para além da prosápia mesmo.

Um belo dia, amanheceu cheia de murras pelo corpo. Nem sabia o porquê. Claro que teve de ir ao médico sem procrastinar. O médico chega, um homem muito xendengue, e é logo destratado por Givanilda, que diz: “É esse molequinho xavier que vai me tratar?”. O médico a olhou, lembrou-se do juramento, e sabia que deveria atendê-la mesmo assim. Já no consultório, mandou-a vestir um mandrião e perguntou-lhe qual era o motivo do repentino malsinar. Givanilda disse não conhecer. Até contou uma patranha, o que o médico percebeu.

Um remédio foi receitado. Givanilda, ainda sem confiar no médico, falava mal do rapaz xendengue pra todo mundo.

Uma semana depois, as murras em seu corpo já tinham sumido por completo. Givanilda nem excogitara tal possibilidade.

O médico achincalhado e destratado por Givanilda percebera que as murras no seu corpo nada mais eram que uma somatização de seus maus agouros. O malsinar lhe era trazido por ela mesma. Ele receitara uma pasta de nada, a base de água, e conversara com ela. Seu único assunto naquela semana foi as murras e o doutor xavier.

No fim da semana, ao ver as manchas completamente desaparecidas, Givanilda iniciou uma atividade até então desconhecida por seus vizinhos: rasgou-se em panegíricos pelo doutor… que não era mais xavier.

Vocabulário necessário:
Excogitar – imaginar / Malsinar – dar má interpretação a algo
Mandrião – bata de uso caseiro / Murra – mancha na pele
Panegírico – elogio / Patranha – mentira / Procrastinar – deixar para depois
Prosápia – vaidade / Somatização – transferir para o corpo
Xavier – sem graça / Xendengue – franzino

Para palavras novas
Certamente, aprendemos com palavras novas. Talvez quem escreve queira ensinar ou utilizar termos com radicais mais específicos. De qualquer forma, geralmente, é melhor ter a certeza de que seu interlocutor vai entender a mensagem. Para mim, fica a decepção de saber que “xavier” é sem graça (há significados piores. Espero ser exceção). Que bom que pouca gente sabe.


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