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Mandando a Letra

O exemplo na escrita

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Sempre afirmo que a responsabilidade de quem escreve, dependendo do ambiente da escrita, envolve a tarefa de mostrar a grafia das palavras. Em ambiente em que há mais formalidade, isso se intensifica. Quer local mais formal do que um comando de redação para exemplo de grafia?

As notícias saltaram

No domingo, perto do fim da tarde, começaram a chegar as mensagens, as perguntas, os alertas, qualquer coisa desse tipo. Gente que fez concurso para a Polícia Militar no Distrito Federal e amigas professoras mostrando o comando da prova de redação, que grafava “policial-militar”. Sim, com hífen.

Muita gente perguntou sobre o uso do hífen nesse termo. De antemão, sabemos (todos!) que não há traço de união nesse caso. Falo isso, de antemão, porque se você procurar nos sites que falam da polícia, não achará essa grafia. Quais explicações e implicações tiramos, então, disso?

Comecei a refletir

Como tentei superar a ideia de cravar “erro”, por muitas experiências (já relatei, neste pedaço do JBr., meu caso com o “desconcordar”), eu prefiro pensar e ver se não estou aprendendo algo. A regra geral para uso do hífen nessa composição é: se se junta substantivo com adjetivo, não se exige o hífen. Já no caso de substantivo com substantivo, ao criar palavra com ideia diferente, coloca-se. Veja, por exemplo, diretor financeiro e diretor-secretário.

Diante disso, pensei, então, será que estão considerando militar como substantivo? Tentei ajudar. Mas não dá. Apesar de se encontrar “militar” como substantivo no Volp, no título do caderno de prova encontra-se “Soldado policial militar”. Com isso, eles mesmos mostram que sabem que, como se apresenta, se trata de um adjetivo.

E as implicações disso?

Qualquer escrita nesse ambiente é considerada “autoridade”. Falo como critério de lógica. É tomada, logicamente, como “certa”. É exemplo. É aula. Nesse lugar, certamente, o é. Imaginei, imediatamente, como ficaria o candidato. Se fosse escrever “policial militar”, ao deparar com aquela grafia, colocaria o hífen.

Foi só uma hipótese, mas, quando cheguei ao trabalho, um amigo tinha feito a prova e… Bingo!, ele fez justamente isso. Releu a prova e incluiu o hífen em todos os “policiais militares” que escreveu. Fez isso, imagino, pelo exemplo que teve da “autoridade” que preparou a prova. Lógico!

Pensei, também, na consequência para a banca: admitir o “erro” e divulgar que aceitaria as duas grafias pelo equívoco; divulgar e aceitar como “facultativo” (pra mim, não cola, seria uma explicação forçada); ou nem tocar no assunto e orientar os avaliadores que não retire ponto do candidato.

Há vários lugares para fazer experiência com as palavras. Definitivamente, o comando de uma prova não serve pra isso. Tem que ser assertivo.


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