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Mandando a Letra

Não repita tanto

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Vamos tratar, hoje, de um tema que é recorrente em redações de jornais e também em ambientes de confecção de documentos: a repetição de palavras. Quero abordar por duas vertentes: a primeira a respeito das repetições em um mesmo texto, e a outra quando se faz uso de uma mesma palavra ao falar ou escrever.

Orientações sobre repetição

É comum em redações de jornais verificar se há muitas repetições de palavras em um texto ou, mais ainda, em títulos, subtítulos, legendas e afins em uma mesma página. Há quem repare, inclusive, se uma palavra está sendo utilizada demais na edição por completo. Isso é a busca para que não se mostre repetitivo e, até mesmo, deselegante ou monocórdio (fica chato, monótono).

Duas coisas podem ser aprofundadas quando nos deparamos com uma repetição excessiva de palavras: a pobreza vocabular e o esvaziamento de sentido.

Quando se conhecem poucas palavras

Pobreza vocabular é um termo usado para repertórios com poucas palavras diferentes. É quando alguém tem poucos recursos de vocábulos para dar mais precisão ao que está falando. É claro que há inúmeros sinônimos para alguns termos, mas nem sempre a proximidade dá uma exatidão ao que se quer comunicar. É necessário buscar novos recursos mais precisos.

Pode ser que essa falta de conhecimento de palavras diferentes seja resultado de pouca leitura, de um nível de estudo limitado ou mesmo de um aprisionamento a algum termo com que você esteja fascinado. Então, no caso de alguém que escreve para um jornal, estimula-se a buscar sinônimos para evitar esse desconforto pra quem lê e não cair no esvaziamento de sentido.

Quando um termo já não significa nada

Um outro problema de repetir uma palavra demais é jogá-la num território obscuro: ela acaba perdendo o significado. Veja esse relato de um rapaz para a namorada: “Amor. Acordei neste dia lindo. Lavei o carro e ficou lindo. Passei pela rua e vi que os ipês estavam lindos. O céu está lindo. O sol está lindo. Parei aqui em frente e ouvi o canto lindo dos pássaros. A propósito, você está linda”. Certamente, a namorada não vai mais se achar especial, não é mesmo?

Também convivi com alguém que usava o adjetivo “maravilhoso” para tudo. “Meus alunos são maravilhosos.” “A minha filha fez um poema maravilhoso.” “Sua galinhada de sábado estava maravilhosa.” “A fulana cantando é maravilhoso.” Quando eu recebia algum elogio de qualquer coisa dela como “maravilhoso”, não somente me perguntava o que queria realmente dizer, como ficava pensando se era de verdade.


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