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Mandando a Letra

A importância da prática de reescrever

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Sobre escrever, lembro-me, ainda no início da década de 1990, de conversar com Leonardo Boff e ele recomendar que, se eu queria ter proficiência no ato de escrever, deveria fazê-lo todos os dias. Uma página que fosse. E sobre o quê? Qualquer coisa. Depois aprendi a importância de reescrever. A lapidação.

Lapidação não somente do texto

Escrever todos os dias, por pouco que fosse, ajudaria a organizar as ideias, familiarizar-se com as palavras, colocar no papel o que se pensa, deparar com necessidades de organizações sintáticas diferentes, entre outras coisas.

Mas reescrever é arranjar o texto para além da matéria bruta. Trata-se de ajustar aquilo que você pode melhorar considerando uma série de fatores: um deles – e o mais importante – é quem vai ler seu texto e o objetivo de se ler suas palavras. Nesse sentido, não somente o texto melhora, mas, o que é mais sensacional, você adquire uma capacidade melhorada.

A barreira do tempo

Hoje a variedade dos textos produzidos é muito grande. Não se pode, sob nenhum aspecto da responsabilidade de quem orienta escritores, achar que regras gerais vão ajudar a todos em todas as circunstâncias. As pessoas escrevem com vários objetivos e para diversos alvos. Sendo assim, observar o público não é um mero detalhe, ao contrário, é um dos fatores mais relevantes da produção textual.

No contato que tive com jornalistas produzindo seus textos, vi o quanto essa gente desenvolve a habilidade de escrever para ser publicado quase que imediatamente. Muita gente fora do jornal critica um erro bobo, mas não tem a ideia de como um editor exige – por precisar imprimir ou publicar o texto logo – rapidez de quem escreve. No geral, tenho certeza de que muita gente teria problemas sérios. Até de autocontrole. Nesse caso, poder reescrever é um luxo que não faz parte do processo. O tempo urge. A habilidade deve ser anterior.

O processo ideal para refazer a escrita

Nem todo mundo consegue contar com um grupo de amigos bons para avaliar um texto. Primeiro por exigir conhecimento do ambiente das letras, segundo por afinidade com o tema ou mesmo com o objetivo do que se escreveu.

O ideal, quando se pode reescrever um texto, é obter a impressão de quem lê. E essa leitura opinativa é importante tanto de quem tem conhecimento técnico textual, como de quem é menos envolvido com isso. Afinal, se alguém quer comunicar completamente, e dependendo do público de seu escrito, deve considerar se a mensagem chega àqueles que leem.

Nesse sentido, na hora da reescrita, quem produz o texto deve perceber se foi arcaico demais, tentando se demonstrar erudito; ou se acabou partindo para um popularesco desnecessário. Um pode deixar muitos sem compreender, outro pode lançar mão de um tatibitate que não vai agregar conhecimento. Equilíbrio é a chave.


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