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Mandando a Letra

Dicas para um bom sucesso

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No último 12 de outubro, o Leão da Leopoldina, nosso querido Bonsucesso F.C., time suburbano do Rio de Janeiro, completou 105 anos de existência. Em meio a lutas para subsistir e com uma história invejável para muitos, conseguimos apreender lições de grafia e gramática desse gigante centenário.

De Bomsuccesso a Bonsucesso

O Bonsucesso é o clube com mais títulos de segunda divisão do Rio de Janeiro. Também trouxe à tona o craque Leônidas da Silva e, não se engane, sua primeira bicicleta foi pelo rubro-anil do Rio. E ele dá nome ao estádio.

Reza a tradição, contada pelo amigo torcedor e (por que não?) historiador do Bonsucesso George Joaquim, que uma família precursora e influente da região era devota de Nossa Senhora de Bom Successo, na época. Com isso, influenciou a nomenclatura do bairro e, consequentemente, do time. Com o tempo, houve a fusão das palavras, gerando “Bomsuccesso”. É bom saber que esse “m” após a letra “o” é só a sinalização de uma nasalização daquela vogal, e diante do “s” essa marca é feita com o “n”. Com a queda natural desses “cc” dobrados, chegamos à grafia atual, que estranha muita gente: Bonsucesso.

Torcedores do Rubro-Anil

A imensa torcida do Bonsucesso é conhecida como rubro-anil. E que lição temos daí? A primeira delas é da necessidade de se usar o hífen para grafar esse adjetivo, que também pode se comportar como substantivo numa frase: “O Rubro-Anil venceu o jogo ontem de virada”. Sendo assim, nesse caso, não se pode grafar “rubro anil”. Lembre-se de que os compostos com cores recebem hífen, como cor-de-rosa e azul-marinho.

Outra lição vem da escrita equivocada “rubroanil”. Sobre essa confusão, podemos comentar que a pessoa que escreve assim está considerando as regras de prefixo. Entretanto, rubro não se comporta como prefixo, mas é um adjetivo ou substantivo. Para isso, lançamos mão de compor com hífen, especialmente pela regra das cores. Por isso, rubro-anil.

“Que baile… que troça!”

O hino do Bonsucesso faz parte de uma série de marchas compostas por Lamartine Babo para os clubes mais modestos do Rio de Janeiro. A letra exalta a história e proclama seu desejo de grandeza. Babo preparou canções desse tipo também para São Cristóvão, Madureira, Bangu e o maior rival do Leão da Leopoldina, o Olaria.

Na letra do hino, uma parte chama a atenção: “Quando a turma joga em casa, a linha arrasa. Que baile… que troça!”. Troça? De fato, não é uma palavra muito utilizada hoje em dia, mas acaba nos dando uma lição das expressões da época. Hoje, troça poderia ser usado no lugar da nossa “zoação” de hoje. Utilizando a linguagem popularizada pelo “internetês”, poderíamos dizer atualmente “que baile, que trolada”. A palavra que data do século 15, significa nada mais nada menos que uma provocação animada. Ficam essas lições bem-humoradas para que tenhamos um bom sucesso.


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