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Mandando a Letra

Algarismos romanos pra quê?

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Todos sabemos que há os algarismos romanos. Creio que aquelas letrinhas que são números eram mais estudadas antes do que hoje pelas crianças que começam a vida de estudos nas escolas. Sem dúvida, ainda é muito importante conhecê-las, mas que tem uso exagerado em muitos casos, isso tem.

O que são os algarismos romanos

Não é novidade nenhuma que os algarismos romanos fazem parte da nossa cultura de escrita há muitos anos. Aliás, eles vêm perdendo espaço (a meu ver, com toda razão) nos últimos tempos.

Basicamente, eles são compostos por alguns caracteres que fazem parte do nosso alfabeto. Por isso, chamamos de letras os números romanos: I = 1, V = 5, X = 10, L = 50, C = 100, D = 500 e M = 1.000. Com esses, podemos compor a variedade de números, como MXXL = 1.250, III = 3 ou XLIV = 44.

Em que normalmente aparecem

Os algarismos romanos são usados na nossa comunicação escrita especialmente para designar sequência de títulos de nobreza e eclesiásticos (papas), numeração de incisos ou outras partes de documentos, eventos, séculos e até mesmo (agora está bastante em moda em alguns países estrangeiros) para filhos e netos em substituição a “Júnior” e “Neto”, como “Roberto Pereira II” e por aí vai.

Diante disso, muita gente pode pensar que é obrigatória essa utilização em algumas situações como o século e a sequência de encontros, reuniões, fóruns etc. Também há quem oriente para a pronúncia como século 4º, por exemplo, em detrimento de século 4 (e que assim se deveria pronunciar ao ler “século IV”). Todavia, não há em nenhuma base do acordo ortográfico orientando para uso dos algarismos romanos, a não ser por manuais de redação (que configuram muito opção intestina). Em documentos já não se negocia: deve-se usá-los em partes especificadas.

O uso abusivo ou desnecessário

Assim como se faz nos manuais de redação, imagino que, afora as situações em que são determinadas (como os documentos, citados acima, e nomes próprios: Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, Praça Pio X, Leão XII), devemos pensar na produtividade e na efetividade do seu uso.

Há redações que aboliram o algarismo romano de séculos, mas também o fizeram em nomes de soberanos e papas. A determinação mais geral é mantê-los, também, em títulos de reis e sumos pontífices: Carlos V e João Paulo II.

Mas, pensemos, começar um título com I Reunião Anual, tudo bem. Mas depois de 30 encontros, ter que escrever XXXVIII Reunião Anual, para fazer as pessoas pensarem tanto a fim de saber que número é esse, é uma crueldade. Que tal lançar mão de nossos belos algarismos arábicos, com os quais temos afinidade? Use e abuse! Aliás, nem é abuso.


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