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Mandando a Letra

A LINGUAGEM ACADÊMICA

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Assim como várias áreas da vida social, a academia – faculdades, universidades – tem sua forma de se comunicar oficialmente. Por meio de artigos, monografias, teses e dissertações, entre outras produções, os alunos, pesquisadores, professores e orientadores demonstram seu conhecimento e partilham seus resultados. Mas quais são os problemas que podem surgir?

Uma forma de se comunicar

Assim como você encontra uma defesa de processo na área do direito, uma matéria escrita por um repórter esportivo ou uma receita médica feita pelo pediatra, as universidades também moldam um estilo de redação próprio para si. Dessa maneira, os trabalhos da academia são caracterizados por uma técnica específica de comunicação.

Podemos recordar a linguagem mais próxima à norma padronizada, a necessidade de referências bibliográficas (aqueles nomes entre parênteses nos textos com data – isso na forma “autor-data”, mais utilizada), a inclusão de notas de rodapé, as indispensáveis introdução e conclusão, além de sumário detalhado e, geralmente, um título extenso com os inseparáveis “dois-pontos”.

A necessidade da inserção

Assim como em quaisquer áreas, até aquelas que foram especificadas acima, é importante que o indivíduo se adapte às práticas de comunicação do grupo em que se insere. O acadêmico precisa conhecer as táticas do mundo científico para demonstrar sua pesquisa e seu resultado. É com essa apresentação que tudo ficará registrado para o enriquecimento de sua área.

Note que recorremos a outros profissionais quando queremos dizer algo mas estamos alijados daquele instrumento discursivo. Advogados preparam defesa dentro das normas do direito. Jornalistas são formados para investigar e contar uma história como deve ser. Médicos sabem relatar uma doença e planejar sua cura na dosagem certa. Tudo isso com linguagem específica.

O problema dos vícios quase insuperáveis

O que costumo ter como desafio sempre é buscar uma autocrítica suficiente para que os textos não sejam sempre acadêmicos como se essa fosse a única forma satisfatória de demonstrar uma experiência, seja ela qual for (problema que também atinge outras áreas). O acadêmico precisa lembrar que, ao escrever um livro, uma crônica, um artigo que seja, se não estiver no mundo acadêmico – se seu objetivo não for esse –, deve rever seu público e ajustar sua linguagem para que ela atinja o máximo de pessoas possível.

Referências bibliográficas e notas de rodapé, por exemplo, devem ser usadas à exaustão em um trabalho acadêmico. Entretanto, em um livro de outra categoria, isso deixa o leitor esgotado. Há informações que podem ser procuradas por quem quer mergulhar mais fundo, mas o importante, aí, é fluir a ideia e passar para o outro seu pensamento. Mas, lembre-se, não force transferir essa linguagem pretensamente livre para textos universitários. Tudo lá precisa ser comprovado: com outra leitura ou com experiência. Fica a dica.


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