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Em Solo italiano: o encontro do equilíbrio

Uma experiência gastronômica positiva vem de uma cadeia de serviços e produtos e o estabelecimento é dependente para fazer o resto funcionar

Por Lulu Peters 30/03/2022 3h57
Em Solo italiano: o encontro do equilíbrio O Solo Ristorante está localizado na Asa Sul.

Depois de uma certa idade, tudo que queremos é equilíbrio. Apesar de o conceito estar bem difundido na nossa sociedade, quem já passou dos 40, principalmente, entende que o equilíbrio não é um patamar absoluto o qual se atinge e aproveita eternamente. Não, o equilíbrio está na busca diária por ele, na consciência a respeito de cada escolha.

Hoje, apesar de tanto falarmos em equilíbrio, vemos reações radicais, violência e escolhas aleatórias e pouco assertivas por todos os lados. Um dos motivos das minhas críticas gastronômicas terem reduzido de ‘tom’ foi justamente esse. Há um equilíbrio entre aquilo que uma casa oferece e aquilo que ela entrega. E meu ponto de crítica era sempre esse. Não prometa, se não vai cumprir. Mas, aí, tinha um ponto cego gigantesco na minha perspectiva.

Uma experiência gastronômica positiva não vem de um restaurante, vem de uma cadeia inteira de serviços e produtos, muitos dos quais o estabelecimento é dependente para fazer o resto funcionar. Ou seja, o equilíbrio dessa relação não está só nas mãos dos restaurantes.

Ontem, apenas ontem, eu conheci um novo restaurante da cidade e, confesso, ele me deixou bastante encantada. O Solo Ristorante se mostrou, para mim, como um ponto de equilíbrio.

Começando pelo ambiente, que na entrada é austero e muito sofisticado, com aquele toque sutil industrial (que eu amo) e visibilidade completa da cozinha, onde se produzem as massas da casa e todas as outras suas delícias, enquanto podemos testemunhar pelo paredão de vidro.

Mais à frente, uma leve mudança de tom, com mesas mais próximas ao belo e estocado bar, e da adega que vai além de mera decoração. Afinal, as bebidas são parte essencial da gastronomia.

De repente, uma nova ‘ponte’ direto a um espaço aberto, com ares de Toscana italiana, uma fonte central, flores, árvores, ombrelones, e sem grandes exageros.

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Tudo no Solo achou seu equilíbrio a ponto de atender um casal apaixonado, uma mesa de negócios, um grupo de amigos ou mesmo um almoço voluntariamente solitário.

A cola deste equilíbrio não poderia ser outra: comida boa.

E o Solo tem. Na verdade, há um único ponto negativo da busca por equilíbrio, que é eliminar produtos bons, porque o paladar brasiliense não dá saída. Eu não entendo como as pessoas preferem sempre salmão no lugar de atum (fiquei sabendo que uma salada de atum foi excluída do cardápio). Mas, enfim. Há comida boa, saborosa, fresca para todos os gostos.

Pessoas que amam comer, mas, principalmente, mulheres, sabem pedir duas ou mais opções para dividir os diferentes sabores. E foi isso que fizemos.

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De entrada, porção de pastel de camarão, levinho, temperadinho, saboroso (R$72,00). Para mim, entretanto, há poucas coisas mais irresistíveis do que queijo, ainda mais empanado e crocante, ainda mais derretendo por dentro e ainda mais acompanhado de mel trufado. Não preciso dizer que o Brie Crocante (R$54,00) do Solo Ristorante é minha nova paixão. Suntuoso, mas, de novo, equilibrado.

Aí, vêm os pratos. A base da gastronomia brasiliense (contém ironia): risoto zaferano de açafrão com entrecôte grelhado e molho de salsa verde (R$97,00). Ponto da carne rosado, risoto perfeitamente al dente, tudo saboroso, mas mais indicado para quem tem esse padrão de paladar mais conservador.

O nhoque de batata com camarões leva um molho maravilhoso de tomates, mas rolou um problema. O “levemente picante” tava demais, até para as pessoas na mesa. Comentamos com o serviço e, na hora, levaram para trocar, o que as pimenteiras da mesa nem deixaram porque, de fato, já tinham comido mais da metade. Acho, genuinamente, que alguém errou a mão na calabresa. (R$ 78)

Agora, sim. Meu prato indicação. A coisa mais simples e mais deliciosa. E tudo por quê? Acertou! EQUILÍBRIO.

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Gamberetto alla provenzale con spaghetti (R$115,00) – vocês também se acham o máximo quando pronunciam comida italiana direitinho? Massa fresquíssima de spaghetti (eu vi a cozinha fazendo, cara) com um molho provençal de tomates, bem rústico, bem caseiro, com camarões grandes em ponto perfeito. Quem me lê há mais tempo sabe que eu aplaudo de pé um camarão em ponto de cocção ideal.

Sem palavras para explicar. Foi como comer uma comida “di nonna” italiana num ambiente sofisticado e agradável. O melhor dos dois mundos. Não me matem: o melhor ponto de equilíbrio.

Sobre preços: a casa está dentro do padrão Brasília para o que entrega, mas ainda achei mais acessível que outras casas de mesmo porte. Por que? Fartura e muita qualidade nos ingredientes e preparo. Então, por exemplo, duas amigas conseguem comer entradas e dividir a massa com camarões, sabe?

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E há pratos fartos “para dois” que dá para três, sabem? Entre R$115,00 e R$150,00, incluindo o Parmigiana Famiglia (R$125,00) que tá muito na minha lista!

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Para fechar, os doces. Gente, os doces. Para paladares mais robustos a Choux alla crema de pistachio (R$28,00), que é algo espetacular. Estou TÃO feliz por descobrir o mundo da massa choux que não tem a ver com ecláir nem profiterolis! O creme de pistache parece um brigadeiro de outro mundo.

E na vertente saborosamente “comportada” da sobremesa, um sorvete de iogurte compota de morango da casa e suspirinhos, essa é a Meringata all fragola (R$28,00).

Quem estiver buscando equilíbrio, como eu, vale a pena conhecer o Solo.

Serviço
Solo Ristorante

Endereço: Asa Sul – CLS 403 Bloco C Lj 22
Funcionamento: Segunda a quinta, das 12h às 15h e 18h30 às 23h30. Sexta e sábado, das 12h às 24h (corrido). Domingo, das 12h às 17h.
Contato: 61 38791889 (whatsapp).








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