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Uma nova gastronomia de boteco

A gastronomia se transforma e renova com o passar do tempo e as mudanças de gosto das pessoas. O que já foi amado, para muitos, perdeu sentido. Assim, o que seria a atual gastronomia de boteco?

Por Lulu Peters 27/04/2022 3h38

Torresmo, frango a passarinho, caldo de mocotó, de feijão ou de moela, bolovo (kibe com um ovo cozido dentro), ovo de codorna, língua ao molho, pescoço de peru, carne louca, mandioca frita, bolinho de queijo ou de aipim com carne seca. As comidas que eram tradicionalmente encontradas nos botecos são conhecidas por quase todo mundo que nasceu, pelo menos, até meados dos anos 90.

Se os ingredientes eram simples, quase “de segunda”, execução e preço é que tornavam esses quitutes preciosidades dentro da gastronomia, levando clientes a se apaixonarem e grandes Chefs a se inspirarem.

Os tempos mudaram e, antes que a galera do Raiz x Nutella entre numa briga, eu ressalto que o belo da gastronomia ter sempre espaço para todos, o clássico e o inovador.

Eu, pessoalmente, não aguento tomar aquelas caipiroskas de Orloff, por exemplo, com açúcar cristal no fundo. Meu gosto por vinho melhorou muito e cerveja estupidamente gelada, mas à base de milho, me mata.

Do mesmo jeito, eu não consigo mais comer uma bandeja de calabresa com cebola besuntada de óleo.

E nem nego que algumas inovações podem irritar um pouco. Não duvido que algum Chef de gastronomia molecular já tenha feito espuma de torresmo e suspiro de mandioca em algum prato “desconstruído”.

Mas muito boteco também aproveitou a onda do ‘raiz gourmet’ e passou a cobrar preços incompatíveis não só com a cadeira de plástico na calçada, mas também com os pratos oferecidos.

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Assim, surgiu um nicho interessante de retomada do carinho, do tempero e do preparo minucioso, mas com uma elevação na sofisticação, nos sabores e produtos oferecidos.

E temos, assim, uma nova “gastronomia de boteco”. Uma base raiz com um toque contemporâneo, que é justamente o que oferecem esses locais.

Pinella

A casa sempre se pautou em pilares fundamentais: boa música, boa bebida e boa comida. A depender do dia, o Pinella vai de point de paquera a ambiente familiar; de jazz a samba, de rock a pop; a casa transita entre públicos bastante diversos, que se unem justamente pelos seus pilares fundamentais.

Há uma preocupação genuína do bar em renovar o cardápio, o que acho ótimo e a assinatura da Chef Myriam Carvalho, que conheço das antigas, pela atuação em restaurantes do completo Brasil XXI, só contribui com o “simples” que carrega muita qualidade.

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Todos os petiscos têm nomes femininos, como o Liliane – Croquete de carne de panela, em equilíbrio de crocância e maciez, acompanhado de maionese defumada (R$48,00).

Milena é uma porção de mini pastéis, de carne e de queijo Brie com geleia artesanal de damasco (R$35,00). A Telma surpreende, com ceviche de tilápia servidos com porções de tostones de banana (R$42,00); e, por fim, um espetacular hambúrguer vegetariano, de falafel, o Sarah, com picles artesanal e maionese de alho da casa servido no pão brioche, acompanhado do melhor chips de banana (R$28,00).

Reduto Bar

Com o selo Patagônia, a casa oferece chopp argentino no Tap, além de drinks muito gostosos, com carta assinada por Gustavo Guedes, além de criações próprias, como é o caso das opções exclusivas da Quinta do Mule, quando o cliente pode escolher até 3 tipos da bebida, por R$66.

Patagones, com vodka, chopp Weiss, xarope de lichia e flor de sal me ganhou, mas a combinação inusitada da bebida com licor de café também agradou.

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Para comer, a casa também oferece clássicos melhorados, como a Yuca Cremosa, que é o croquete com massa de mandioca e queijo meia cura (R$26) ou Tapiolones que são os dadinhos de tapioca feitos com o queijo provolone que garante aquela puxadinha de queijo maravilhosa (R$26). Os dadinhos, aliás, podem ser entrada também do Prato Executivo da casa, que vou abordar em outra pauta.

Ainda não provei, mas irei com toda certeza: rodízio de milanesas, às terças e quartas, por R$56, com direito a mini filés à milanesa, cobertos por toppings variados, como guacamole, cebola caramelizada ou creme de gorgonzola.

Gato Preto Bar

De tanto frequentar, já até me perguntaram se eu era sócia da casa. Como eu me conheço, não poderia trabalhar num lugar onde meu pro labore seria em drinks e comidinhas.

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Uma das cartas de coquetelaria mais incríveis da cidade, entre clássicos impecáveis, como o Negroni (R$  29) e o Dry Martini (R$  29), e inovações como o Humuhumunukunukuapua’a (nome do peixe oficial do Havaí), à base de gin, abacaxi, limão siciliano, bitter e xarope de amêndoas (R$  29). Tudo com execução e apresentação impecáveis.

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Para beliscar, a barriga de porco assada em baixa temperatura e frita, curada com sal, açúcar mascavo, páprica picante, cominho e pimenta do reino, acompanha picles de cebola roxa e de rabanete (R$19) é dos meus favoritos, mas também não resisto aos croquetes de costela desfiada no seu próprio molho, cebola e molho bechamel (R$ 44).

A casa conta ainda com sanduíches espetaculares e opções variadas e decentes para vegetarianos, como a Caponata de Berinjela feita em conserva no azeite, cebola, pimentão e uva passa, acompanhada de cesta de pães (R$ 16) ou o sanduíche de shimejis salteados, com shoyu, óleo de gergelim, saquê mirim, cebola, broto de feijão e nirá, molho missô, servido no pão de castanha (R$ 22).

E você? Onde aproveita a nova gastronomia de boteco?

Serviços
Pinella
CLN 408 BL B Loja 20 – Asa Norte
Menu: pinella408norte.com
Telefone: (61) 3347-8334
Instagram.com/pinella408norte

Reduto Bar
CLS 405 Bloco D loja 16/18 – Asa Sul
Telefone: (61) 99291-2766
Reservas: getinapp.com.br
Instagram.com/reduto.bar

Gato Preto Bar
SEPN 504 Bloco C, Ed. Mariana (do cartório) – Asa Norte
Telefone: (61) 99912-3333
Pedir: ifood.com.br
Instagram.com/gatopreto_bar








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