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Espinoza: um soberano modesto

Com sua sexta casa inaugurando apenas em Brasília, precisamos falar sobre a trajetória do Chef Marco Espinoza

Por Lulu Peters 16/03/2022 3h36
Chef Marco Espinoza. Foto: Divulgação Chef Marco Espinoza. Foto: Divulgação

Em 2013, o restaurante Taypá destronava o até então imbatível Aquavit como Melhor Restaurante da cidade, pela premiação de uma famosa revista em sua edição Comer & Beber. A casa havia sido inaugurada, três anos antes, com um metafórico “pé na porta” de elegância, pompa discreta e comida surpreendente. Prova de seu sucesso imediato foram as filas de espera e muita expectativa sobre a proposta de uma culinária bem fusionada – no auge do seu despontar por aqui – de comida peruana clássica com toques inovadores de outras culinárias mundiais.

Mais de uma década depois, o cardápio do Taypá ainda é símbolo de sabor e segurança na execução, com destaque para seus ceviches deliciosos e variados, como o Criollo, feito com polvo, peixe branco, lula, camarões com leite de tigre, creme de coentro e tempurá de cebolas (R$78,20 – preço no site do restaurante) e pratos como o Lomaso, composto de filé ao molho de redução de vinho, chimichurri e funghi cremoso, com nhoque de mandioca ao pesto de coentro e gratinado (R$89,90 – preço no site do restaurante). Um prato realmente destemido em termos de sabor e um dos meus favoritos.

O prêmio de “Melhor de Brasília” não só se repetiu como foi seguido de várias outras láureas, tanto para o restaurante quanto para o Chef Marco Espinoza, cuja carreira começou com sua mudança para Buenos Aires aos 19 anos, onde se graduou pelo I.A.G (Instituto Argentino de Gastronomia) e acumulou experiências em embaixadas e restaurantes da capital Portenha. Em 2010, veio para o Brasil, se fixando, inicialmente, no nosso quadrado, para comandar o Taypá e, já em 2013, no Rio de Janeiro, onde, encantado pela fartura e frescor de ingredientes e produtos marinhos, abriu o Lima Cocina Peruana, que recebeu o selo da categoria Bib Gourmand pelo Grupo Michellin e conta com 4 endereços cariocas.

O surpreendente é que, mesmo com todo esse sucesso, mesmo sendo praticamente soberano como referência gastronômica em Brasília, o Chef segue emanando uma energia de pura modéstia e tímida simpatia. É cordial, porém, descaradamente introvertido e impassível a quaisquer dramas, competições e fofocas do mundinho do jornalismo gastronômico.

Em qualquer inauguração de uma de suas casas, onde colunáveis brindam e registram os momentos, é possível ver o Chef acenando com certa timidez, conversando com amigos realmente próximos ou dando apoio à sua equipe, a quem, inclusive, atribui todo o seu sucesso. Talento e modéstia genuínos, o que é raro de se ver.

Além do Taypá e Lima Cocina, ainda vieram Chaco Bar e Brasas e Cantón, em São Paulo e, novamente, Rio de Janeiro; e só em Brasília: Cantón, Sagrado Mar, Lima Cocina e Meu Galeto (versões pequenas, dentro do projeto Mané, um conglomerado de restaurantes e bares dentro do Estádio Nacional de Brasília) e, o mais novinho, Kinjo Nikkei. Ou seja, Brasília tem o privilégio de uma dose reforçada de Espinoza!

Minha visita mais recente foi ao Kinjo, localizado dentro do Shopping Casa Park, num espaço muito bacana, com um “sushi bar” exposto e mesas dispostas sobre uma espécie de palco (onde já funcionou o antigo Tête à Tête).

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A ideia da casa é explorar a linha Nikkei mesmo, com um pouco de Japão, nos sushis, sashimis muito especiais, incluindo vieiras canadenses, atum e polvo. Os Makimonos em 06 ou 10 peças como Tuna Spicy tartar de atum, óleo de gergelim e cebolinha (R$38,00); Quinoa, mais suntuoso, com camarão bata, caranguejo, quinoa e togarashi (R$49,00) e o delicioso Shogun, com camarão e abacate, que eu amo (R$46,00).

Para petiscar, o cardápio tem opções em estilo “Izakaya” (botequinho japonês), como o Gyoza Buta, de cerdo confitado, legumes e molho huancaína, que é maravilhoso (R$47,00); Kazan Shrimp – muito bom também – de camarões crocantes com molho cremoso bem apimentado (R$57,00).

Para uma fome mais intensa, os pratos principais individuais, incluem Yasai, que são vegetais preparados na wok com molho de ostras, acompanhado de proteínas, como Filé Mignon, Camarão, Peixe do dia ou Vegetariano (R$49,00-72,00); o Niku Lima (filé mignon, cebola, batata e teriyaki limeño); e Tuna Quinoa, que é atum grelhado, purê de misso e cogumelos defumados, que eu adorei (R$69,00).

Quero voltar para provar o Kinjo Ramen (caldo grosso, feijão chinês, ovo e porco char siu, R$49,00); e o Tako Parrillero (polvo grelhado com chimichurri e molho de pimenta amarela, R$79,00).
 
De sobremesa, quero provar o Cookie Ice Cream com sorvete e chocolate de matcha (R$34,00), porque eu não sou a maior fã de Tres Leches que é o clássico bolinho de laranja embebido em três leites com sorvete de gengibre (R$34,00).

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Para fechar, a carta de drinks inclui clássicos com preço bem na média brasiliense, como Negroni (R$34,00), Moscow Mule (R$33,00) e autorais, como  Smoked Bourbon (Jack Daniels, dranbuie e canela, R$35,00); e Kinjo (saquê, polpa de manga, xarope de pimenta e gengibre, R$36,00).

Serviço
Kinjo Nikkei
Shopping CasaPark – Térreo – loja 150
@kinjonikkei.br








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