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A questão da constância

Se já sabemos que gastronomia não é apenas sobre comida, quais fatores influenciam uma experiência positiva? Comecemos pela constância

Por Lulu Peters 05/08/2022 11h06

Que o mercado gastronômico local melhorou muito ao longo dos últimos 10 anos, nós já sabemos. Mas um dos aspectos mais difíceis sobre ser alguém que ‘indica’ é que damos o aval a respeito de uma experiência subjetiva, própria. Mais que isso, em Brasília, o fato de a experiência acontecer no dia X ou Y faz diferença.

Isso porque um dos aspectos mais prejudiciais e, ao mesmo tempo, corriqueiros e comuns das casas brasilienses é a falta de constância. Até entendo o serviço oscilar, afinal, temos uma crise de mão de obra aqui, já que a profissão de garçom ainda é vista (e, às vezes, remunerada) como um “bico”, algo que se pode fazer quando se precisa de trabalho rapidamente. Então, qualquer ausência na equipe, ou despreparo do atendente, pode “derrubar” a constância do serviço em dias diferentes.

O problema é que, muitas vezes, a comida sofre do mesmo mal. E, apesar de, em tese, a equipe da cozinha necessariamente passar por mais critérios técnicos para contratação, muitos profissionais são pouco valorizados, não recebem curso de reciclagem, não são, de fato, ensinados a conhecer a comida que eles mesmos preparam. Isso é um ponto.

Outro é o problema do fornecimento de insumos por aqui. Muitos clientes não sabem, mas as casas são reféns dos fornecedores. Se uma empresa diz que vai entregar os produtos na quarta, mas não aparece, a casa não consegue fazer nada além de pressionar. Porque se brigar, pode muito bem ser ‘cortado’ pelo fornecedor.

Fico feliz de falar, aqui, como uma casa que tem se mantido em uma constância belíssima de se admirar: Solo Ristorante. Da comida ao atendimento, das bebidas ao ambiente, ali me parece ser um cantinho de segurança. Às vezes, é só o que queremos na hora de comer fora: ser acolhido com constância.

Fica a reflexão.

Giro de notícias: menus, eventos e dicas

Rodízio de vinhos ou “open wine” é uma iniciativa que eu apoio! Pagar preço fixo, estilo happy hour, para beber vinho à vontade Qual apreciador ou alcoolista não vai gostar?

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  • Rota do Vinho tem, todas as terças, rodízio com oito rótulos para beber à vontade, das 18h às 22h, por R$ 89 por pessoa.
  • Venicce Beach tem, todas as quartas, rodízio com cinco rótulos à vontade, também, de 18h às 22h, por R$ 79 (última informação que foi repassada, pode ter sido alterado);
  • Almeria, às sextas, faz um happy hour especial com um rótulo do dia à vontade, das 17h às 20h, por R$ 79.

Pratos especiais, de inverno ou comemorativos, estão nos cardápios do Santé 13, Santé Lago e Cantucci Osteria! O Cantucci, que completa 11 anos de existência (como eles crescem rápido…), inaugurou uma enoteca nova em folha, visível para os clientes e com capacidade para 400 garrafas. Além disso, adicionou três entradas novas ao cardápio, duas das quais eu provei e AMEI.

Sério, vale até ficar curtindo um monte de entradas (eu gosto muito de fazer isso): gratinado de Angus (R$ 39) em tiras com cebola caramelizada, cogumelos e bechamel e parmesão (já quero); Bocadillo di Calamari (R$ 36) com brioche na manteiro com uma maionese/aioli super refrescante de ciboulette e limão siciliano, com anel de lula empanado (delicioso); e a Burrata Speciale (R$ 79) com um maravilhoso crostine frito, burrata fresca, tomate confitado, pesto da casa e redução de balsâmico.

Os especiais do Chef, antes servidos em dias ou horários específicos, estão liberados todos os dias em agosto: Confit de Bacalhau (R$ 89), Cassoulet al mare (R$ 59), FIlé Wellington (R$ 69) e Gnocchi da sorte (R$ 56).

Já o Santé apostou em pratos especiais de inverno, mas considerando que aqui a temperatura varia muito entre almoço e jantar, pode atender a vários paladares.

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O tartare de camarão (R$ 59), com avocado e telha de parmesão, confesso, me surpreendeu. Super refrescante, muito gostoso para um almoço no jardim e acompanhado dos drinks autorais do menu de inverno, como a combinação de gin e xarope monin de maçã verde.

A salope (nossa conhecida “sacanagem”) é servida em quatro espetinhos com gorgonzola, Brie, tomate cereja e couve de Bruxelas (R$ 39). É uma entrada para dividir, com certeza!

Se as entradas são mais para um inverno diurno, os principais, certamente, são aquele abraço numa noite fria, com um tinto para acompanhar: Fondue de Escondidinho de Bacalhau com fondue de gruyère, parmesão e muçarela sobre bacalhau desfiado com azeitonas em cama de batata rosti, servido com crispy de alho poró (R$ 96). Hummmmm, muito gostoso, comfort food perfeita, até porque, em tese, é individual, mas super rola de dividir com o objeto do seu afeto.

Outra opção é o clássico Risoto de Rabada, com rabada preparada lentamente em molho especial da casa, servida com risoto finalizado com agrião verde e crispy de agrião (R$ 88). Super bem temperado.

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Para fechar, indico o trio de Trilogia de Quenelles, mousse de limão siciliano com tangerina, mousse de chocolate meio amargo e mousse de maracujá (R$ 28).

Agora, só falta seu ‘uni-duni-tê’ para você escolher!

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