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Balança x medidas corporais… E aí, em quem devemos confiar?

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Balança x medidas corporais

Por Andressa Marchi

Passou Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa… você não está se sentindo bem, deseja emagrecer e então decidiu que estava na hora de começar a se cuidar, matriculou-se no CrossFit e não tem perdido uma aula, consultou com a nutricionista e está fazendo o plano alimentar estabelecido direitinho, você realmente está de parabéns!

Chegou então a hora de voltar na nutricionista, refazer a avaliação física, pesar e avaliar de fato que resultado foi obtido ao longo de toda dedicação. Ao subir na balança, aquele choque, os números ali apresentados na balança estão exatamente iguais aos da consulta passada! Como assim??? Não é possível!!! Após tanta dedicação, parece que nada valeu a pena…

Quem nunca subiu de peso por raiva ou desespero?

Contei essa historinha ali em cima para entrar em um assunto que costuma confundir a cabeça de muitos pacientes quando vamos fazer a reavaliação no consultório. Vejo que as pessoas realmente se preocupam em ver o peso da balança reduzindo, uma vez que de fato ele parece ser o maior referencial se está acontecendo o processo de emagrecimento ou não. De fato, desejando-se perder gordura corporal, essa perda, essa redução, deveria aparecer ali na balança…

Então, e se eu te disser que não?

Quando estamos em processo de emagrecimento associado ao exercício físico, é necessário lembrar que a massa muscular está sendo estimulada. Quanto mais massa muscular for estimulada de forma correta (treino + dieta + descanso adequados), mais hipertrofia irá acontecer (ganho de massa muscular), mais acelerado ficará o metabolismo do indivíduo e mais gordura corporal será utilizada como fonte de energia a fim de suprir essa demanda energética nova que está sendo solicitada.

O que quero dizer com isso? Que é justamente devido a esse fator (utilização de gordura como fonte de energia devido à necessidade de suprir essa nova demanda solicitada + ganho de massa muscular) que muitas vezes o peso na balança não reduz, permanece o mesmo. Isso acontece pelo fato de estar ocorrendo uma troca de tecidos, ganha-se massa muscular através da perda da gordura corporal. 

Digo muito aos meus pacientes: vá até o açougue e peça para o rapaz lhe trazer 2kg de patinho (carne relativamente magra) e ele lhe trará uma peça relativamente pequena, porém compacta. Agora, peça a ele para lhe trazer 2kg de banha pura, você verá que ele lhe trará um volume grande de produto. Essa imagem mostra exatamente o que estou falando.

Então, quero deixar claro para vocês que é realmente importante atentar-se às MEDIDAS, ao PERCENTUAL DE GORDURA CORPORAL quando desejamos realmente avaliar se está ocorrendo ou não a redução de gordura. 

Você pode ser o tipo de pessoa que deseja sim perder peso na balança, que não deseja ganhar massa muscular e quer ficar com um “corpo slim”, sem preocupar com volume muscular, aquele famoso biotipo das modelos de passarela. Ok! Isso é possível (dependendo da sua estrutura física), porém, é necessário uma alimentação adequada e a prática de exercício para que a sua massa muscular seja preservada!

O que não deve ocorrer é perda de peso na balança em prol de redução de massa muscular!

É muito mais comum do que se imagina atender paciente magras e com exames bioquímicos preocupantes, elevado teor de triglicerídeos, colesterol, glicemia, etc. Magreza não é sinônimo de saúde! Você pode comer pouco, mas o que você come?

Quantas pessoas relatam queixas como: fraqueza, muito sono, cansaço, falta de atenção, perda de raciocínio, queda de cabelo, fraqueza nas unhas, irritabilidade, compulsividade, etc… esses e vários outros são sintomas básicos de redução de massa muscular!

Sabe o famoso EFEITO SANFONA? Ele está justamente associado a frequentes emagrecimentos em grande escala, porém, qual tecido foi realmente comprometido nesse processo? A massa muscular! Então uma vez que a pessoa sai da dieta altamente restritiva que a fez perder tanto peso (leia-se massa muscular) em um curto espaço de tempo, o metabolismo tende a compensar essa perda com o rápido acúmulo de gordura corporal, afinal, ele precisa fazer um rápido estoque de energia novamente e nada melhor que a gordura para isso. Faz sentido, não faz?
Fora os drásticos efeitos psicológicos que tudo isso traz para a vida dessa pessoa!

Praticantes frequentes de exercício físico que desejam reduzir gordural corporal costumam perceber isso muito facilmente. Após 20/30 dias de alimentação adequada + exercícios, a balança pode não apresentar tanta diferença, mas as roupas começam a ficar folgadas (principalmente no quadril, coxas e braços), o fôlego nos treinos parece aumentar de uma hora pra outra e a força então, nem se fala. A redução de medidas nas roupas é reflexo de perda de gordura corporal onde o corpo costuma depositar mais e o aumento de fôlego e força são reflexo do ganho de massa muscular.

Talvez alguém possa estar lendo essa matéria e não conseguiu entender o que quero dizer com medidas e percentual de gordura… vou explicar!

Existem diversas formas de avaliar composição corporal, uma delas é através de avaliação por dobras cutâneas (um aparelinho que aperta suas gordurinhas e mede cada região do seu corpo, sem dor!) + circunferências (mede-se cada região do seu corpo com a fita métrica) + peso corporal (peso na balança mesmo). Associando essas três informações, eu tenho no final o valor de percentual de gordura corporal presente. (a imagem abaixo mostra bem isso)

Excesso de gordura corporal deixa todo indivíduo mais preguiçoso, mais compulsivo, mais desanimado!

Com essa imagem é possível perceber que o percentual de gordura é totalmente compatível com a presença de gordura e massa muscular.

Então o meu maior intuito com esse artigo é trazer algum tipo de LIBERTAÇÃO, para que de fato o olhar crítico SAUDÁVEL seja transferido para o espelho e roupas e não mais para a balança. Que possamos parar de querer um resultado que não é compatível com o nossos hábitos e que possamos entender que nosso corpo é reflexo daquilo que fazemos com ele, seja positivamente ou negativamente!

Que as pessoas parem de querer resultado a qualquer custo (como eu disse, as vezes comprometendo até massa muscular, que nos traz tanta saúde), sem pensar nos efeitos negativos que isso trará a longo prazo! Afinal, VOCÊ É O QUE VOCÊ COME!


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