Siga o Jornal de Brasília

Histórias da Bola

Pepe, o Canhão da Vila

Campeão da Copa do Mundo-1958, na Suécia, e bi,no Chile-1962, sem jogar, na reserva de Zagallo, o ponta-esquerda santista Pepe, que seria o titular, mas foi prejudicado por contusão, girou pela década-1960 como dono do chute mais potente do futebol brasileiro. Quando cobrava falta e acertava a rede, os “speakers” do rádio gritavam: “Gooool de Pepe, o “Canhão da Vila”.

Antes dele, só um atleta passara pela Vila Belmiro, o reduto municipal do Santos, com batida tão forte: Jair Rosa Pinto, craque, também, no Vasco da Gama, no Flamengo, no Palmeiras e no São Paulo – além do escrete nacional, vice do Mundial-1950. O apelidado “Jajá de Barra Mansa” foi o modelo do José Macia, o Pepe

– Durante os treinos, eu ficava espiando o Jajá cobrar faltas. Procurava imita-lo nos mínimos detalhes, desde a maneira de correr em direção à bola, distância tomada e mode de bater nela, etc, revelou Pepe à “Revista do Esporte” – N 309, de 08.01.1967 – acrescentando que ainda conversava com o já veterano atacante, a fim de aperfeiçoar os seus tiros em bolas paradas e em movimento. “Se tenho um canhão no pé (esquerdo, o direito bombardeava com 40% menos de força), devo muito ao Jair”, acrescentou Pepe.

O ponteiro-esquerdo santista admirava, também, o amor demonstrado por Jair Rosa Pinto pela profissão. O via com a cabeça no lugar, sabendo o que queria e fazendo todos os sacrifícios para nada prejudicar a carreira. “Aprendi a me cuidar com ele”, contou.

Devido ao aprendido com o “Professor Jajá”, o canhão de Pepe disparou por 405 vezes nas redes, em 750 partidas, durante 15 temporadas – 1954 a 1969 -, vestindo somente a camisa do Santos. Jair, no entanto, demorou mais tempo pelos gramados, 25 temporadas – 1938 a 1963, usando oito jaquetas clubísticas. No quesito seleção nacional, os números deles são quase iguais: Pepe disputou 40 jogos e marcou 22 gols; Jair fez 41 partidas e 23 tentos. Os números de Pepe acima são os de sua carreira profissional. Como amador, ele disputou outros 81 jogos pelo Santos, mandando 50 bolas na caçapa. Ele garante que, se tivesse, com a direita, o mesmo rendimento da perna esquerda, teria colocado muito mais goleiros pra chorar.

Perto do final da carreira, quando indagado se pretendia ser treinador, Pepe exclamava: “Deus me livre!” – dizia não ter predicados para a profissão. Mas terminou sendo e defendendo 20 camisas – 1969 a 2006 – , entre clubes e uma seleção nacional, a peruana. Conquistou oito títulos, um deles o brasileiro da Série A-1986, pelo São Paulo, e dois na Série B-1988 e 1995, respectivamente, por Inter de Limeira-SP e Atlético-PR – Jair Rosa Pinto treinou 10 times, entre 1963 e 1975, sem títulos.

Brincalhão, Pepe diz-se “maior goleador do Santos” – é o segundo – alegando que Pelé, o primeiro, “é de outro planeta”. Garante não ter ganho muito dinheiro em seu tempo de atleta, citando o exemplo de o seu primeiro contrato profissional, em 1955, valeu Cr$ 1 mil cruzeiros mensais. “Não dá pra comprar uma bola, hoje”, sacaneia.

Você pode gostar
Publicidade