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O Índio Velho

Primeiro médico do Ceub EC, Flory Machado foi cuidar de uma outra tribo

Por Gustavo Mariani 17/09/2021 10h45

O futebol candango perdeu, neste 15 de setembro, aos 77 de idade, um dos seus grandes representantes, o médico Flory Machado Sobrinho, o primeiro da safra aberta pelos torneios disputados por profissionais, na década-1970. Em 1973, quando o Ceub EC jogou o seu primeiro Campeonato Nacional, lá estava ele em ação, atendendo a Claudio Garcia (ex-Fluminense), Oldir (ex-Vasco da Gama), Paíca (ex-Grêmio), Lauro (ex-Cruzeiro), (Roberto Dias (ex-São Paulo), Fio Maravilha (ex-Flamengo) e toda aquela galera veteraníssima que o presidente Adílso Peres trazia para encerrar a carreira por aqui.

Brasília ficou conhecendo o “Doutor” Flory Machado, como ele era chamado, pelos elogios ao seu trabalho, feitos, principalmente, pelos jornalistas José Natal e Kléber Sampaio. Além de médico competente na ortopedia, Flory era adorado pelos joradores e cronistas esportivos, também, pelo seu bom papo de bola. Conhecia tudo da história do futebol, principalmente do gaúcho, de sua terra.

Conforme me contou o treinador Aírton Luís Nogueira, foi jogando futebol, profissionalmente, que Flory conseguiu pagar os seus estudos e graduar-sde em Medicina,em 1968, pela Universidade Federal de Pelotas-RS. Era filho de um maquinista de trem de ferro e chegar até uma sala de estudos universitários era um sonho que ele só poderia tornar realidade rolando bem a bola, como atleta. Não me lembro qual o time que ele defendeu, mas me parecer ter sido o Brasil, de Pelotas, pois, pelo finais das década-1980, ele levou o Noguerira para treinar aquele clube.

Flory me chamava por “Índio Velho”, coisa do seu linguajar gauchesco e que fez o repórter Luís Augusto Guimarães Mendonça, pela Rádio Nacional de Brasília, só chamá-lo-, também, assim. Seatleta do Ceub caísse ao gramado, o carinha gritava ao microfone: “Lá vai o Índio Velho, em disparada, tirar mais um do do bagaço”. Dizia o também repórter/narrador Nílson Nélson, da mesma Rádio Nacional, ter sido o Luisinho o criador do bordão que ficou famoso: “Time do Bagaço”.

Além de bom de papo (e de serviço, é claro), Flory Machado rolava a bola com a gente nas peladas da Seleçõ dos Jornalistas, a convite de Zé Natal, que lhe entregava a camisa 10 do meia-armador. Mais da metade dos gols marcdos pelo nosso artilheiro, o Marcos Lisboa, saíam de caprichados lançamentos do Índio Velho, que era o cara, também, de um time peladeiro chamado Gerovital e que reunia médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos, advogados, enfim, profissionais de várais vertentes.

Ppresidente, entre 1986 a 1999, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, conveniada à Associação Médica Brasileira, responsável por congregar os especialistas em ortopedia e traumatologia, Flory entrou para o Hospital de Base-DF, em 1974, tendo chegado a diretor do Departamento de Ortopedia. Aposentou, em 2014, tendo sido um dos pioneiros na medicina do esporte. Ganhou fama nacional pelos trabalho de reconstruções ligamentares de joelhos, durante a década-1980, quando participou da junta de especialistas que tratou do craque Zico, do Flamengo, para este jogar a Copa do Mundo-1986. Fiocu conhecido por “Cientista de Joelhos”.

Além do Ceub, Flory serviu aos times do Brasília EC, Gama, Brasiliense, à seleção brasileira de natação e, ainda, atletas de handebol, atletismo, karatê e boxe. Atuou, também, na formação de residentes no HBDF e viu o seu filho, Julian Machado, seguir seus caminhos e dar continuidade ao serviço de Cirurgias de Traumatologia e Reconstruções Ligamentares, com credenciamento internacional.

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No Hospital de Base, o médico Flory Machado arrumava, sempre, uma brecha para atender jogador no bagaço. Com certeza, ele já está escalado, pelo Chefe dos Chefes, como médico do Time Lá de Cima. E, se tiver uma vaguinha, também, no time do pedaço, tchê!








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