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Horizon Hunters Gathering e a saturação de jogos live service

Projeto multiplayer ambientado no universo de Horizon surge em meio ao cansaço do público com o modelo live service e levanta dúvidas sobre as prioridades da Sony e o futuro da franquia

Karol Scott Lucena

12/02/2026 15h31

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Foto: Divulgação

Que a Sony e o PlayStation construíram uma reputação quase imbatível quando o assunto é jogo singleplayer, nós já sabemos. Eles realmente não decepcionam ao contar suas histórias. Horizon, God of War, The Last of Us e outros ajudaram a definir uma geração inteira. O problema começa quando a conversa muda para jogos como serviço. Não temos boas lembranças.

Nos últimos anos, a Sony tentou emplacar vários projetos live service e tropeçou na maioria das vezes. Muitos foram cancelados antes mesmo de chegar ao público, como as versões de The Last of Us, God of War e Spider Man. Dos que chegaram a ser lançados, poucos realmente se sustentaram. Podemos citar Helldivers 2 como talvez a única exceção, sendo até hoje um sucesso.

Agora, em fevereiro, a Sony anunciou Horizon Hunters Gathering, um multiplayer ambientado no universo de Horizon. A proposta mistura elementos de Monster Hunter, roguelike, arenas cooperativas e um visual bem mais estilizado e cartunesco, algo que lembra animações modernas e jogos competitivos atuais. Arcane e Fortnite tiveram um filho, sabe? A ideia é caçar máquinas em grupo, escolher funções, evoluir personagens e repetir o ciclo em busca de equipamentos melhores. Tudo muito alinhado com o modelo de jogo como serviço.

O anúncio, porém, não empolgou. A recepção inicial foi fria e até negativa, com uma quantidade enorme de dislikes e comentários críticos. O sentimento geral é de cansaço. Parte do público olha para Horizon e enxerga uma experiência solo, narrativa, mais séria e com ritmo próprio. Ver esse universo transformado em um multiplayer focado em engajamento constante soou forçado para uma parcela da comunidade.

Outro ponto que pesa é a informação de que Horizon 3 segue em desenvolvimento, mas não é prioridade no momento. A Guerrilla Games está com boa parte do time focada em Hunters Gathering. Para fãs que aguardam uma continuação direta da história, isso gera frustração. A sensação é de que um projeto multiplayer está atrasando algo que já tem público garantido.

Esse movimento não é exclusivo da Sony, mas chama atenção justamente por ir contra o que a empresa sempre fez de melhor. Outras empresas já tentaram algo parecido e falharam, como a BioWare com Anthem e a Arkane com Redfall. Jogos bons no papel, mas que não conseguiram se sustentar no modelo live service.

E para nós, brasileiros, esse impacto é ainda mais sensível. Jogos como serviço costumam exigir investimento em microtransações e, para um público que já lida com preços altos de consoles, jogos e assinaturas, apostar em mais um live service que pode nem durar gera desconfiança. Ninguém quer investir tempo e dinheiro em algo que corre o risco de acabar amanhã.

Isso não quer dizer que o jogo seja ruim. Horizon Hunters Gathering tem um combate que parece fluido, o visual está bem produzido e a experiência cooperativa pode até funcionar. O problema é o contexto. O mercado está saturado e o público, mais exigente e sem paciência.

Talvez esse projeto tivesse outra recepção se fosse uma nova IP, sem o peso do nome Horizon. A comparação com os jogos principais é inevitável e, nesse ponto, o multiplayer acaba perdendo força. No fim das contas, o sucesso ou fracasso vai depender de algo simples e difícil ao mesmo tempo. O jogo precisa, de fato, ser divertido e consistente.

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