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Entrevista com Tetéia, streamer na Twitch e parceira da Dumativa

Tetéia conta para a Game Life qual jogo mais lhe marcou e explica o processo criativo na Dumativa

Karol Scott Lucena

26/04/2023 17h08

Foto: Reprodução

Tetéia é streamer na Twitch há quatro anos. Iniciou por hobby, mas logo virou profissão. As lives dela são de jogos diversos, sempre com muito humor e espontaneidade. Começou a se aventurar no mundo de Reels e TikTok produzindo conteúdo para o estúdio brasileiro Dumativa, onde trabalha com os Castro Brothers, responsáveis por jogos como “A Lenda do Herói”; “Enigma do Medo”, com o Cellbit; e “Bágdex”, do ilustrador Wagner Tamborin, conhecido por ser uma mistura de Pokémon e Digimon e a cultura brasileira.

Batemos um papo muito legal para a coluna. Confira:

Karol: Como foi o processo criativo para chegar no nome Tetéia?
Tetéia: Meu nome na verdade é Stephani Lelis e minha mãe me chamava de Téia, por conta da novela Perigosas Peruas (1992), que tinha um casal chamado Tetéia e Tetéio. Quando eu comecei a fazer live, eu usava meu nome, mesmo. Mas depois pensei: “Nada a ver, vou criar um nick” e aí veio o Tetéia. Estou aqui representando as Perigosas Peruas.

Como você se apaixonou por jogos?
Eu tenho uma tia que é três anos mais velha que eu. Crescemos juntas e costumávamos jogar bastante no MegaDrive, jogos bem velhos como Sonic e Golden Axe. Foi aí que começou a paixão. Sempre adorei jogar, mas sempre fui muito ruim (risos). Nunca consegui zerar o Sonic. Depois ganhei um Playstation 1, ganhava da minha tia direto no futebol. Também jogava GTA… naquela época de 3 jogos por 10 eu me acabava, aproveitei bastante!

Qual jogo mais te marcou na infância?
Golden Axe e o Sonic foram os que realmente marcaram. Tinha também o Gta San Andreas. Mas eu jogava jogos bobos, tipo o do Tom & Jerry, da Pantera Cor de Rosa, aquele da Pocahontas. Nossa, eu amava muito!

Dos jogos que você streamou, qual mais te marcou?
Foram tantos! Eu tinha um preconceito muito grande com jogos de pixel art, olha só (risos). Mas aí peguei um jogo que me fez chorar igual uma criança, chorei como se não houvesse amanhã! O nome dele é To The Moon, um jogo super simples. Chorei mesmo na continuação dele, o Finding Paradise. Chorei tanto, mas tanto, que foi ali que eu entendi que os jogos não são só gráficos, muitos têm histórias super marcantes, às vezes se conectam com algo bem mais profundo na nossa vida.

Além dele, teve também o The Last of Us. Ali nos primeiros cinco minutos, eu achei que ia morrer de chorar. Tive que sair da live para dar uma respirada. Tocou em algo que eu estava passando na minha vida pessoal. Acho que os jogos têm esse poder, sabe?! De ser chamativo não só pelos gráficos, mas por outras coisas. Finding Paradise me destruiu e mudou muito minha cabeça em relação a jogos pixel art.

De que forma sua parceria com a Ubisoft aconteceu?
Eu já havia feito contato com eles, fiz umas lives no canal deles. Não sei por que, mas eles me adoraram, sou grata por isso. Teve uma época em que eles queriam criar um quadro novo para o YouTube e entraram em contato comigo. Topei na hora! Foi bizarro. Na live de apresentação eu estava lá no mesmo lugar que, nada mais, nada menos, que Marcos Castro, Damiani, pessoas que eu assistia, acompanhava. Eu estava lá tremendo. Hoje, não estou mais com eles, mas foi uma experiência incrível.

Como sua história com a Dumativa teve início?
Eu trabalhei no SBT Games por um tempo. Um dia, resolvi levar ‘A Lenda do Herói’. Por conta disso, eles acabaram me conhecendo, me seguindo. Um ano depois, o Rafa, que é o dono da Dumativa, entrou em contato comigo, me elogiando e chamando para trabalhar juntos e criar conteúdo.

E o seu contato com os jogos da empresa, como funciona?
Minha função é levar as informações dos jogos para o público, por meio das redes sociais, principalmente de jogos como a Lenda do Herói e o Enigma do Medo, do Bágdex.

Você começou na stream, mas agora está se aventurando no Instagram e no TikTok da Dumativa. Como é o seu processo criativo para criar o conteúdo?

Eles me deixam muito livre, então eu tenho muita liberdade para criar. Acho até mais fácil assim. Tudo que aprendi com criação de conteúdo foi lá, eles me deram uma oportunidade gigantesca. No começo, eles perguntaram: “Sabe criar TikTok?” e eu: “Claro, sou braba, vamos lá!”. Não sabia coisa nenhuma (risos).

Mas fui dando a cara a tapa e aprendendo. Diariamente, eu acordo e crio um roteiro. Às vezes não dá, então eu tento separar um dia pra ficar bem tranquila e criativa. Procuro algo ali dentro da empresa mesmo, um assunto, um boss, uma arte-conceito, uma parte de desenvolvimento que seja legal levar pro público… crio, mando pra aprovação, gravo, envio pro editor, posto e sou feliz! Trabalhar com criatividade é assim. Às vezes, o dia não tá legal, mas a Dumativa nos incentiva a trabalharmos no dia em que estamos bem pra isso.

Você teve dificuldade em sair da stream e trabalhar seguindo roteiros e falando direto para a câmera?
Tive 100%. Eu fui péssima! (risos). Quando eu entrei na Ubisoft, lá também tinha um roteirinho, mas eu dava uma travada, não conseguia falar normal. Não sei, era uma sensação muito estranha. Acho que essa transição de estar gravando sozinha dentro do seu quarto e de repente ter três câmeras, cinco iluminações e três pessoas lá olhando pra sua cara, dá uma pressão. Eu não conseguia me soltar. Foi bem difícil, eu me perdia no meio das frases, esquecia, voltava, começava de novo. Mas agora eu comprei um teleprompter, e o que antes levava 10 minutos, agora leva dois.

Vemos uma crescente profissionalização na área de stream e criação de conteúdo. Qual sua opinião sobre o futuro dessas áreas?
O meio de streaming e de criação de conteúdo, hoje, já tem uma galera gigantesca. As pessoas procuram muito por jogos, né!? Comecei a entender isso quando fui para o TikTok. Ali vemos a quantidade de menções, de busca por tal jogo. Acho super fofo quando posto algum jogo de duplinha e um marca o outro chamando para jogar. O “tem para mobile?” é a pergunta mais comentada (risos).

Eu acho que tem espaço para todo mundo. É um trabalho legal, mas até você conseguir profissionalizar isso é difícil. Não incentivo as pessoas largarem o trabalho ou os estudos para começar a viver disso, porque para você conquistar algo sólido, ter um financeiro básico para sobreviver, é muito difícil, requer tempo, esforço e muitas vezes, muitos não conseguem. Mas acredito que, no início, fazer por diversão é super válido. É muito gostoso fazer uma livezinha. É uma profissão muito legal, difícil como qualquer outro trabalho, cansativo, mas que só tende a crescer, principalmente para conteúdo vertical.

Essa foi a Tetéia! Gostaram da nossa conversa? Ela gostou de chorar com jogos, então já recomendei pra ela o Spiritfarer, para ela chorar bastante como eu chorei também!

Alguma recomendação de quem podemos chamar para batemos um papo aqui na GameLife? Deixe sua sugestão lá no Instagram!

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