Xabi Alonso saiu do Real Madrid do jeito que o futebol costuma ser: pela porta da derrota. Ídolo como jogador, capitão respeitado, vencedor na Alemanha com o Bayer Leverkusen, ele descobriu agora o lado mais ingrato do jogo. No maior clube do mundo, o passado pesa menos que o placar.
A derrota para o Barcelona na final da Supercopa foi apenas o estopim. O problema vinha sendo construído jogo a jogo. Xabi começou a comprar brigas que técnico nenhum sobrevive quando os resultados não acompanham. A principal delas foi com Vinícius Júnior. Ele tirava o brasileiro em quase toda partida, inclusive na decisão. E isso, no Real Madrid, não é apenas uma decisão técnica. É um ato político.
Na véspera do Natal, no dia 24 de dezembro, nós alertamos aqui na coluna que Xabi estava repetindo um erro clássico: o de Vanderlei Luxemburgo em 2005, quando resolveu peitar Ronaldo, Zidane e os galácticos. O técnico brasileiro aprendeu da pior forma que, no Bernabéu, trocar medalhão é sempre um risco mortal. Vinte anos depois, o roteiro se repetiu com outro protagonista.
Quando Vinícius saiu irritado, as câmeras flagraram Florentino Pérez perguntando, incomodado, por que ele havia sido substituído. Aquilo já era a sentença. Não era mais sobre futebol, era sobre poder.
No fim, a lógica é brutalmente simples e vale para todos os campos do mundo, do Real Madrid ao Mirassol, do Bernabéu ao Volta Redonda. Ganhou, fica. Perdeu, um abraço. Não importa o currículo, não importa o passado, não importa a idolatria.
Abel Ferreira, o técnico mais vencedor da história do Palmeiras, que o diga. Se não ganhar o Paulistão, já vira ameaça. É assim que o jogo funciona.
Xabi Alonso saiu como muitos antes dele: descobrindo que no futebol a memória é curta, o carinho é frágil e o único argumento realmente imbatível continua sendo o placar.