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Futebol ETC
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WhatsApp no banco de reservas? STJD dá “ok, mas disfarça”

O futebol brasileiro ganha mais uma daquelas situações típicas: a norma existe, o fato acontece, o julgamento vem… e tudo termina num meio-termo confortável, onde ninguém sai realmente prejudicado 

Marcondes Brito

11/04/2026 5h38

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Se alguém ainda tinha dúvida sobre o grau de tolerância no futebol brasileiro, o episódio envolvendo Memphis Depay tratou de esclarecer: pode usar celular no banco de reservas, desde que não vire moda… ou que ninguém resolva levar muito a sério.

O atacante do Corinthians foi flagrado mexendo no telefone durante o jogo contra o Flamengo, numa cena que misturou tédio, modernidade e aquele clássico espírito de “só uma olhadinha”. O caso foi parar no STJD, como manda o figurino quando o futebol decide discutir qualquer coisa fora das quatro linhas.

A princípio, cogitou-se uma multa de mil reais. Valor simbólico, diga-se – praticamente o preço de um jantar em dia de concentração europeia. Mas nem isso vingou. No fim das contas, o tribunal resolveu advertir o jogador. Advertência. Aquela bronca institucional que não dói no bolso, não tira ponto e, convenhamos, não assusta nem juvenil.

E é aí que mora o ponto curioso – ou perigoso, dependendo do humor do leitor. Se a punição por usar celular durante a partida é uma simples advertência, o recado subliminar pode ser interpretado de várias formas. A mais provável delas: não pode, mas também não acontece nada demais.

Abre-se, portanto, um precedente informal. O banco de reservas, que já foi espaço de tensão, prancheta e olhar fixo no jogo, corre o risco de virar uma extensão do sofá de casa. Hoje é o Depay conferindo algo no telefone. Amanhã pode ser outro jogador respondendo mensagem, vendo lance repetido ou, quem sabe, acompanhando outro jogo.

Claro, ninguém vai admitir isso oficialmente. O regulamento segue dizendo que não pode. A CBF continua proibindo. E os clubes, em tese, devem controlar. Mas a prática costuma ter vida própria quando a punição não acompanha a regra.

No fim, o futebol brasileiro ganha mais uma daquelas situações típicas: a norma existe, o fato acontece, o julgamento vem… e tudo termina num meio-termo confortável, onde ninguém sai realmente prejudicado — e talvez nem muito convencido.

Se depender desse caso, o recado é claro, ainda que não declarado: o problema não é pegar o celular. É só não deixar aparecer demais.

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