Houve mais do que dois gols na vitória do Real Madrid sobre o Manchester City, nesta terça-feira, pela Champions. Houve resposta, memória e um acerto de contas. Vinicius Júnior, o nome do jogo, não esqueceu o que ouviu no Etihad na temporada passada — e tratou de devolver com futebol e ironia.
Naquele confronto anterior, a torcida inglesa exibiu faixas com a frase “stop crying your heart out”, numa provocação direta ao brasileiro em meio à disputa da Bola de Ouro de 2024. O prêmio, que parecia destinado a Vinicius, acabou nas mãos de Rodri. A escolha causou surpresa, protesto do Real Madrid — que sequer compareceu à cerimônia em Paris — e até constrangimento no teatro, onde o nome de Vini foi gritado antes do anúncio oficial.
Meses depois, a resposta veio no campo. Vinicius marcou duas vezes, decidiu o jogo e, no momento mais emblemático, celebrou imitando choro diante da torcida do City. Não foi só comemoração. Foi recado.
E o contraste ficou ainda mais evidente. Enquanto Vinicius assumia o protagonismo de uma noite grande, Rodri, o melhor do mundo eleito, teve atuação apagada, sem influência, sem brilho, e acabou substituído. A impressão que se consolida é dura: talvez tenha sido um dos vencedores mais discretos — para não dizer questionáveis — da história recente da Bola de Ouro.
Vinicius, ao contrário, fez o que se espera de um melhor do mundo. Decidiu, provocou, chamou a responsabilidade e, sobretudo, respondeu dentro de campo. Criativo até na vingança, transformou a ironia que recebeu em combustível.
No estádio onde tentaram fazê-lo chorar, foi ele quem deu o tom. E, desta vez, com razão.