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Vini Jr. sofre racismo, o futebol finge reagir; mas todos continuam de braços cruzados

Quem vai defender o jogador brasileiro dos incontáveis (e intermináveis) ataques racistas que ele sofre dentro de campo?

Marcondes Brito

18/02/2026 5h47

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Reprodução

O futebol parou por alguns minutos no Estádio da Luz, nesta terça-feira, durante o jogo entre Benfica e Real Madrid pela Champions League, porque Vinícius Júnior fez o que se espera de qualquer vítima: denunciou. Segundo o próprio jogador do Real Madrid, ele foi chamado de “mono” pelo argentino Prestianni, do Benfica. O árbitro cruzou os braços, o protocolo antirracismo foi ativado, a megafonia avisou a torcida, os jogadores se envolveram em discussão, a partida esfriou. Tudo muito solene, tudo muito protocolar. Tudo muito simbólico.

Mas é justamente aí que começa o problema.

Se o árbitro cruza os braços, ele está dizendo ao mundo: houve um episódio de racismo em campo. Se o protocolo é acionado, a UEFA reconhece que existe um indício grave. Se o jogo para, é porque algo inaceitável aconteceu. E aí vem a pergunta que nunca é respondida de forma convincente: e agora?

Porque, na prática, quase nada acontece. Não há prova “definitiva”, o acusado nega, se protege tapando a boca, a arbitragem diz que não ouviu, o jogo recomeça e Prestianni segue em campo. A torcida continua xingando, objetos são atirados, e o jogador que denunciou ainda sai como o “problema” da noite. Vinícius, mais uma vez, é quem carrega o peso da cena. Ele denuncia, se indigna, se recusa a seguir como se nada tivesse acontecido – e ainda leva cartão por comemorar um gol.

Covarde!

Depois da partida, Vinícius foi às redes sociais e foi direto ao ponto. Chamou os racistas de covardes, disse que eles precisam esconder o rosto, “colocar a camisa na boca”, para atacar, e denunciou que essas pessoas ainda contam com a proteção de quem, teoricamente, deveria puni-las. Mais uma vez, o jogador expôs o que o futebol prefere não encarar: o problema não é apenas quem ofende, mas quem finge não ver.

O protocolo existe, mas funciona como um gesto para inglês ver. Serve para constar na súmula, para a entidade dizer depois que “tomou providências”, para aliviar a consciência institucional. Não protege o jogador no momento em que ele é violentado. Não inibe quem agride. Não educa quem ofende. E, quase sempre, não pune de forma exemplar.

A cena se repete, estádio após estádio, país após país, e o roteiro é sempre o mesmo: Vinícius denuncia, Prestianni nega, o futebol finge que reage, e tudo segue como se fosse apenas mais um “incidente”. Enquanto isso, o recado que fica para quem é racista é claro: dá para xingar, dá para humilhar, dá para ferir – desde que se tape a boca e não deixe prova.

A pergunta que fica é a mais simples e a mais incômoda: quem vai defender Vinícius Júnior dos incontáveis (e intermináveis) ataques racistas que ele sofre dentro de campo?

Porque, do jeito que está, o protocolo até cruza os braços. Mas o sistema inteiro segue de braços cruzados diante do racismo.

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