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Vini Jr. e Luciano Huck venderam confiança ao Will Bank, o banco que quebrou. E agora?

Não é apenas publicidade neutra. É endosso. O problema surge quando o banco quebra e os clientes ficam no prejuízo. Nos EUA, eles são responsabilizados

Marcondes Brito

22/01/2026 7h47

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Reprodução

A liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master e decretada pelo Banco Central, abriu um debate que vai além do colapso de uma instituição financeira. O ponto central não é apenas a quebra do banco, mas o papel de celebridades que emprestaram sua imagem para construir confiança junto ao público e estimular pessoas a colocar dinheiro em uma operação que terminou em prejuízo.

O Will Bank apostou fortemente em campanhas publicitárias com famosos de grande alcance popular. Entre os principais nomes estavam Luciano Huck e Vinícius Júnior. No caso de Vinícius, a discussão ganha um peso ainda maior por envolver o futebol, um ambiente em que ídolos influenciam diretamente decisões de consumo de milhões de torcedores, muitos deles jovens e financeiramente vulneráveis.

Quando um atleta desse porte associa sua imagem a um banco, a mensagem transmitida é clara. Segurança, modernidade, credibilidade. Não é apenas publicidade neutra. É endosso. O problema surge quando o banco quebra, clientes ficam no prejuízo e a confiança vendida se transforma em frustração e perda financeira.

No Brasil, a responsabilização de influenciadores e celebridades por danos financeiros causados por produtos que promovem ainda é tratada com extrema cautela. Na prática, quase sempre prevalece o entendimento de que a propaganda não gera compromisso algum com o resultado. Mas essa lógica não é universal e tampouco inédita de ser questionada.

Exemplo dos EUA

Nos Estados Unidos, há precedentes claros. O boxeador Floyd Mayweather foi multado após promover uma criptomoeda sem informar que recebia pagamento pela divulgação. Além da multa, devolveu o cachê e ficou temporariamente impedido de fazer esse tipo de propaganda.

O ex-jogador de basquete Paul Pierce também foi responsabilizado depois de divulgar ativos digitais com promessas irreais de lucro. O desfecho envolveu pagamento de multas e indenizações milionárias.

No colapso da corretora FTX, atletas mundialmente conhecidos que atuaram como garotos propaganda acabaram incluídos em ações coletivas movidas por investidores prejudicados. Shaquille O’Neal, Tom Brady e Stephen Curry optaram por acordos financeiros para encerrar disputas judiciais e evitar julgamentos longos.

Até fora do mercado financeiro direto, o princípio da responsabilização já foi aplicado. Lance Armstrong, após a revelação de seu esquema de doping, foi processado por uma agência governamental americana que usava sua imagem como símbolo de vitória limpa. O acordo custou milhões de dólares.

Esses casos não apontam para perseguição a famosos, mas para um entendimento simples. Quem lucra vendendo confiança assume, no mínimo, uma responsabilidade moral quando essa confiança é usada para convencer pessoas a assumir riscos que não compreendem totalmente.

No futebol, essa discussão é ainda mais sensível. Ídolos não falam apenas com consumidores informados, mas com torcedores que veem nesses nomes referências de sucesso, credibilidade e exemplo de vida. O Will Bank quebrou. Clientes perderam dinheiro. E os principais rostos das campanhas seguem sem qualquer explicação pública.

A pergunta que fica não é apenas jurídica. É ética, social e política. Até quando a publicidade feita por celebridades continuará blindada, mesmo quando o produto vendido termina em prejuízo para quem acreditou?

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