O Flamengo embarcou para Lima sob um clima que nem o mais frio dos pilotos conseguiria ignorar. Depois do Aero-Fla avassalador que tomou conta do Rio, um mar de bandeiras, cantos e lágrimas empurrou o time para a Libertadores como se o Maracanã tivesse continuado no aeroporto. E, agora, vem a público mais uma peça desse roteiro de motivação: o discurso emocionante feito pelo comandante da aeronave antes da decolagem.
Um discurso que não foi técnico, não foi burocrático, não foi de praxe. Foi de torcedor. Um torcedor que, mesmo na cabine, com todos os protocolos e responsabilidades de um piloto comercial, deixou o coração rubro-negro falar mais alto.
O comandante lembrou que cada quilômetro percorrido naquele céu carregava a esperança de milhões. Que cada um dos jogadores tinha, nas mãos, o sonho de uma nação inteira que acorda e dorme vermelha e preta. Disse que aquele voo podia levar o time até Lima, mas que a partida é que levaria todos à história. Pediu coragem, pediu alma, pediu entrega — e lembrou que, quando o avião tocasse o solo peruano, não desceriam apenas 30 passageiros. Desceria a Nação.
É o Flamengo se alimentando do próprio mito, da própria mística, da própria vibração. É o emocional entrando na cabine, nos fones, no vestiário, no campo. E, se havia alguma dúvida de que a preparação psicológica mudou depois da explosão do Aeroflá, o discurso do comandante ajuda a explicar: o time saiu do Rio cercado de paixão e chegou ao ar cercado de fé.