A visita do Inter Miami à Casa Branca nesta semana produziu uma cena que correu o mundo. Lionel Messi, o maior jogador de sua geração, aplaudindo Donald Trump enquanto o presidente americano falava sobre a guerra contra o Irã. A imagem provocou críticas, desconforto e uma pergunta incômoda sobre o papel público de ídolos do esporte.
Trump, sempre performático, ainda lançou uma provocação típica de quem conhece o peso simbólico do futebol: perguntou quem era melhor, Messi ou Pelé.
A pergunta foi errada.
Não apenas porque Pelé está em um patamar histórico praticamente intocável – três Copas do Mundo, algo que nenhum outro jogador alcançou – mas porque aquela comparação, naquele contexto, era quase uma armadilha retórica. Messi, claro, não respondeu. E dificilmente responderia. Ele sabe que não foi maior do que Pelé em praticamente nenhum critério histórico relevante.
Mas a pergunta que faria sentido ali não era essa. A pergunta correta seria outra: quem foi maior, Messi ou Maradona? E a resposta não estaria apenas nos números ou nos títulos. Estaria na postura diante do mundo.
Enquanto Messi, educado, discreto e quase sempre silencioso, aplaudia um presidente que celebrava operações militares no Oriente Médio, Diego Maradona construiu uma carreira marcada por posicionamentos políticos explícitos – muitas vezes controversos, mas sempre assumidos.
Maradona nunca teve medo de tomar partido. Enfrentou a FIFA, atacou o poder econômico do futebol, abraçou líderes latino-americanos de esquerda e transformou o campo em palco simbólico de disputas políticas. Para ele, futebol e mundo real nunca estiveram separados.
Messi é um gênio da bola, certamente o mais refinado tecnicamente dessa geração. Mas sempre foi um jogador do silêncio.
Maradona era outra coisa. Era o jogador que falava. Que provocava. Que tomava lado.
Num mundo em guerra, essa diferença pesa mais do que qualquer estatística.