A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que concedeu 90 dias de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, acabou criando uma coincidência curiosa com o calendário da Copa do Mundo de 2026. Mais do que coincidência: um encaixe quase milimétrico, digno de tabela oficial.
Se a contagem começa em 24 de março, o prazo se encerra em 22 de junho. Exatamente no momento em que a fase de grupos está chegando ao fim e o torneio começa a definir quem segue adiante.
Em casa, com pipoca e tornozeleira
Na prática, Bolsonaro ganha lugar cativo no sofá para boa parte da primeira fase. A estreia do Brasil contra o Marrocos, no dia 13 de junho, será assistida em casa. O mesmo vale para o segundo jogo, contra o Haiti, no dia 19, com direito a monitoramento eletrônico, mas também a uma visão bem mais confortável do que teria na Papudinha.
O apito antes da Escócia
A ironia do calendário aparece no fechamento da fase de grupos. A prisão domiciliar termina em 22 de junho. Dois dias depois, no dia 24, o Brasil enfrenta a Escócia.
Sem qualquer “acréscimo” judicial, o ex-presidente pode trocar o sofá pelo regime fechado justamente antes do último jogo da primeira fase — e já entrar no clima do mata-mata em outro ambiente.
Final em outro estádio
Se a Seleção Brasileira avançar e chegar à final, marcada para 19 de julho, o cenário já será outro. Pelo cronograma atual, Bolsonaro assistiria à decisão da Papudinha, longe do clima festivo típico de uma final de Copa do Mundo.
VAR jurídico
Como em toda disputa, ainda há espaço para revisão. No futebol, o VAR resolve lances duvidosos. No caso de Bolsonaro, qualquer prorrogação depende do STF.
Até lá, o roteiro está traçado: Marrocos e Haiti no sofá, Escócia sob incerteza e a final, se vier, em um “estádio” bem menos animado.