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Futebol ETC
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Torcedor do Botafogo enfim descobre que discurso não paga dividas 

O time comandado pelo gringo falastrão John Textor vive as custas de um dinheiro imaginário

Marcondes Brito

22/01/2026 5h25

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A história do transfer ban do Botafogo ganhou, nos últimos dias, contornos que ajudam a explicar por que, no clube, quase nada pode ser tratado como definitivo antes de acontecer de fato. Na semana passada, havia a expectativa de que o problema estivesse perto do fim. Falava-se em prazos bancários, trâmites internacionais e atualização automática no sistema da FIFA. Um enredo conhecido no futebol moderno, sempre embalado por termos técnicos e promessas de solução iminente.

O desfecho, porém, foi outro. O pagamento que explicaria o fim do bloqueio simplesmente não ocorreu. Não houve compensação, não houve confirmação, não houve liberação. O Botafogo não pagou. E o que parecia ser apenas uma etapa burocrática revelou-se algo bem mais básico.

Hoje, o próprio clube já admite a possibilidade de conviver com o transfer ban até o meio do ano. E não se trata apenas da dívida de 21 milhões de dólares com o Atlanta United pela contratação de Thiago Almada. Há outros quatro ou cinco processos em andamento, e a FIFA passou a exigir garantias mais duras, justamente porque o Botafogo é visto como reincidente nesse tipo de problema.

Caso o bloqueio se prolongue, o efeito prático é direto: reforços não podem ser registrados e jogadores recém-contratados, como Ythallo e Lucas Villalba, podem acabar emprestados. Um cenário que desmonta qualquer discurso de normalidade administrativa e expõe um clube que vive sempre no limite entre a promessa e a execução.

Você lembra quando John Textor disse, anos atrás, que tinha mais dinheiro do que o Barcelona? E aqui vale deixar isso absolutamente claro: não houve, na época, erro de tradução. E até poderia restar alguma dúvida, afinal ele está no Brasil há vários anos e não aprendeu sequer a dar um bom dia em português. Mas não foi o caso. A frase foi traduzida corretamente. Ele disse exatamente isso.

O tempo tratou de mostrar que não se tratava de força de expressão nem de bravata retórica. Era um devaneio. Porque quem diz ter mais dinheiro do que um gigante europeu não pode, ao mesmo tempo, conviver com transfer ban, processos sucessivos na FIFA e dificuldades para pagar dívidas básicas do próprio clube que controla.

A história do dinheiro que estaria pago, mas nunca chegou, se encaixa perfeitamente nesse contexto. Não é um episódio isolado. É a repetição de um padrão em que o discurso sempre corre muito à frente do caixa. No Botafogo, mais uma vez, a realidade fez o favor de lembrar: promessa não quita dívida, frase de impacto não libera transfer ban e dinheiro imaginário não resolve problema real.

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