Tem coisa que só o futebol brasileiro explica. Ou melhor: só o Botafogo explica. O clube que há pouco tempo era apresentado como símbolo de uma revolução financeira, quase um “novo rico” do futebol sul-americano, agora aparece em um anúncio de jornal inglês como quem estende a toalha na areia e grita: na minha mão é mais barato.
É isso mesmo. O Botafogo está à venda. De novo. Ou melhor: sempre esteve, mas agora com etiqueta exposta.
A cena é curiosa. Lá fora, em um jornal tradicional, o clube é descrito com pompa: “um dos mais tradicionais do Brasil”. Aqui dentro, os números contam outra história – dívida que salta para R$ 2,5 bilhões, prejuízo recorrente, déficit de quase R$ 300 milhões em um ano mesmo com receita recorde.
Traduzindo: a vitrine é bonita, mas o caixa está no vermelho. E aí entra o personagem principal dessa história: John Textor. O mesmo que chegou falando grosso, prometendo mundo e fundos, dizendo até que tinha mais dinheiro que o Barcelona. Sim, ele disse isso. Sem rir.
Hoje, o discurso mudou. Ou melhor: evaporou. No lugar das promessas, aparece um classificado internacional oferecendo o pacote completo: Botafogo, Lyon e um clube belga, tudo junto, tudo misturado. Quem levar, ganha brinde. É o futebol no modo feirão.
E o Botafogo, coitado, virou aquele produto que o vendedor tenta valorizar enquanto abaixa o preço no grito. “Clube histórico, tradição, torcida apaixonada…” – tudo verdade. Mas o freguês olha o balanço e pensa duas vezes.
Porque no fim das contas, não é só sobre comprar um clube. É sobre assumir uma conta pesada, um projeto que não se sustentou e uma promessa que nunca saiu do discurso.
O mais irônico é que o torcedor, que ouviu tanto sobre grandeza, agora assiste ao clube ser anunciado como oportunidade de negócio. Na prática, virou isso: um ativo em liquidação.
E o grito ecoa, agora em inglês, mas com sotaque bem brasileiro: “Na minha mão é mais barato!”
