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Futebol ETC
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Quando o jogo sujo sai do futebol e chega à Casa Branca

É uma degeneração moral. O jogo sujo que já manchava o futebol agora ameaça contaminar também a política internacional

Marcondes Brito

08/01/2026 7h48

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O que aconteceu na coletiva da Casa Branca não pode ser tratado como coincidência inofensiva. O episódio levanta uma suspeita clara de manipulação de resultado, no sentido mais clássico do termo esportivo, mas agora transportado para um ambiente muito mais sensível: a comunicação oficial do governo dos Estados Unidos.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, encerrou o briefing de forma abrupta quando o cronômetro se aproximava perigosamente dos 65 minutos. O detalhe é que havia apostas em andamento sobre a duração da coletiva, com linhas de corte bem definidas entre “mais” ou “menos” de 65 minutos. Clique AQUI e veja o vídeo em 15 segundos.

Como o encerramento ocorreu exatamente nessa zona cinzenta, entre 64 e 65 minutos, surgiram imediatamente teorias de que o tempo poderia ter sido cronometrado para favorecer um resultado específico de aposta. Quem apostou no cenário improvável acabou lucrando de forma desproporcional, o que acendeu o alerta.

A desconfiança ganhou ainda mais força por causa do contexto da semana. Poucos dias antes, o mercado de apostas foi sacudido por uma polêmica real de uso de informação privilegiada envolvendo previsões sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Apostadores lucraram alto ao prever o evento pouco antes de ele acontecer, alimentando a percepção de que informações sensíveis estariam vazando para quem aposta.

Com esse pano de fundo, qualquer movimento estranho ou excessivamente preciso dentro da Casa Branca passou a ser visto com lupa. No caso da coletiva, o gesto de encerrá-la no limite exato da linha de corte reforçou a sensação de que alguém sabia exatamente o momento certo de parar.

A comparação com o futebol brasileiro é inevitável. Casos envolvendo apostas em cartões amarelos mostraram como ações mínimas, aparentemente banais, podem ser usadas para movimentar grandes somas de dinheiro. Já é difícil controlar isso dentro de campo. Fora dele, é simplesmente vergonhoso.

Quando essa lógica atravessa a porta da Casa Branca, o problema ganha outra dimensão. Não se trata mais de manipular um lance ou um cartão, mas de flertar com a manipulação de atos institucionais, explorando o tempo e a previsibilidade da comunicação oficial do Estado para ganhos financeiros.

É uma prática abominável. Um jogo sujo que saiu do gramado, passou pelo mercado de apostas e agora ameaça contaminar a política internacional, corroendo a confiança pública e normalizando a ideia de que até o funcionamento do poder pode ser tratado como mercadoria

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