Existe um ditado antigo, já bastante repetido, que diz que o Corinthians não é um time que tem uma torcida. É uma torcida que tem um time. Pode até soar gasto, mas há domingos em que a frase ganha vida própria. Este foi um deles.
Em Brasília, no Mané Garrincha, a decisão da Supercopa Rei colocou frente a frente Corinthians e Flamengo. Dentro de campo, o resultado surpreendeu: vitória corintiana por 2 a 0 sobre o poderoso Flamengo, um desfecho tratado como zebra antes da bola rolar. Fora dele, porém, não houve surpresa para quem conhece a história do clube paulista. Embora a maioria dos 71 mil presentes vestisse vermelho e preto, a avaliação predominante entre cronistas — e não apenas os paulistas — foi de que a arquibancada teve dono. Em menor número, os corintianos cantaram mais alto, empurraram mais forte, ocuparam mais espaço simbólico. Pareceu, para muitos, um verdadeiro banho de bola nas arquibancadas.
Barulho em Londres
Enquanto isso, praticamente no mesmo horário, o Corinthians escrevia outro capítulo dessa relação visceral entre clube e torcida, agora do outro lado do Atlântico. Em Londres, no Emirates Stadium, a equipe feminina decidia a primeira edição do Mundial de Clubes Feminino da Fifa contra o Arsenal. O resultado foi adverso: derrota por 3 a 2. Ainda assim, a festa promovida pelos torcedores alvinegros chamou a atenção da mídia internacional.
Mesmo jogando na casa das inglesas, a torcida do Corinthians se fez ouvir do início ao fim. Cânticos, bandeiras, celebrações a cada lance importante. Em vários momentos, a sensação era de equilíbrio — ou até de vantagem sonora — em um estádio que deveria ser majoritariamente local. Comentários de jornalistas estrangeiros e transmissões internacionais destacaram o impacto daquela presença brasileira, algo raro em finais disputadas na Europa.
Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2011, cerca de 40 mil corintianos atravessaram o mundo para apoiar o time na final do Mundial de Clubes, em Tóquio, contra o Chelsea. A cena entrou para a história do futebol e virou referência quando se fala em mobilização de torcida.
Brasília e Londres, no mesmo domingo, em jogos diferentes, com resultados distintos. O ponto em comum foi o mesmo: onde o Corinthians joga, a torcida joga junto. Às vezes vence, às vezes perde. Mas quase sempre impressiona.