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Palmeiras colhe o que plantou e expõe o abismo da formação de atletas no futebol brasileiro

O que o Palmeiras arrecadou com sua base nos últimos anos é mais do que o dobro do segundo colocado e supera, sozinho, a soma do que 14 clubes da Série A conseguiram no mesmo período

Marcondes Brito

31/01/2026 5h22

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Há números que não admitem contestação. E há números que, além de incontestáveis, funcionam como um retrato cruel das escolhas feitas no futebol brasileiro. Elaborado pelo BolaVip Brasil, o levantamento que aponta o Palmeiras como o clube que mais lucra com a formação de jogadores no país é exatamente isso: um espelho incômodo para os rivais.

O que o Palmeiras arrecadou com sua base nos últimos anos não é apenas superior ao dos concorrentes diretos. É mais do que o dobro do segundo colocado e supera, sozinho, a soma do que 14 clubes da Série A conseguiram no mesmo período. Isso não é acaso, nem sorte de mercado. É projeto, método e insistência.

O clube transformou a base em pilar estratégico, não em discurso vazio de dirigente. Forma, testa no time principal, valoriza e vende no momento certo. Endrick, Estêvão, Vitor Reis e Luís Guilherme não são exceções fora da curva, mas produtos de um sistema que funciona. O resultado é um modelo que gera caixa sem sacrificar desempenho esportivo, algo raro no cenário nacional.

O contraste com o Flamengo é revelador. O clube carioca também forma talentos, mas historicamente demonstra mais dificuldade em consolidá-los no time de cima. Muitos acabam saindo cedo demais ou sem a valorização adequada. A diferença entre negociar uma promessa por valores modestos e transformar jovens em vendas milionárias explica, na prática, a distância entre os dois modelos.

Outro dado que merece atenção é o mecanismo de solidariedade. O São Paulo lidera nesse quesito e mostra que uma base bem trabalhada continua rendendo frutos mesmo quando o clube atravessa fases esportivas instáveis. Jogadores formados anos atrás seguem gerando receita em transferências internacionais, um dinheiro silencioso, mas fundamental para clubes que vivem sob pressão financeira.

O Fluminense aparece logo atrás e reforça sua tradição histórica como formador. Mesmo sem sempre realizar as maiores vendas diretas, mantém um fluxo constante de atletas valorizados no mercado internacional, garantindo receitas recorrentes.

O ranking das bases mais lucrativas deixa claro o tamanho do abismo entre quem trata a formação como investimento de longo prazo e quem ainda a enxerga apenas como promessa:

1 – Palmeiras: 279 milhões de euros
2 – Flamengo: 121 milhões de euros
3 – Fluminense: 104 milhões de euros
4 – Santos: 103 milhões de euros
5 – São Paulo: 90 milhões de euros
6 – Corinthians: 80 milhões de euros
7 – Grêmio: 66 milhões de euros
8 – Vasco: 50 milhões de euros
9 – Internacional: 48 milhões de euros
10 – Atlético-MG: 32 milhões de euros

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