O pior da noite do Maracanã foi devolver ao torcedor vascaíno uma sensação que ele conhece demais: a de que, quando alguma coisa começa a dar certo, a frustração está logo ali. A eliminação diante do Boca Juniors doeu pelo tamanho da oportunidade e pela esperança que havia mobilizado a torcida. O Vasco fez o mais difícil na Argentina, mas, em casa, passou a impressão de estar esmagado pela responsabilidade de confirmar a vantagem.
Conheço vascaínos que há anos acompanham o Campeonato Brasileiro com uma calculadora na mão. Fazem contas para escapar do rebaixamento, procuram três pontos aqui, um empate acolá. Um clube com essa história acabou aprisionado à luta pela sobrevivência e virou alvo permanente de piadas dos adversários. É desse Vasco que o Vasco precisa se livrar. A repetição dos fracassos não pode transformar o medo em identidade.
A perspectiva de chegada de Marcos Lamacchia ao comando da SAF ajudou a renovar o otimismo. É compreensível que o torcedor enxergue nessa mudança uma oportunidade de voltar a disputar títulos, de entrar num campeonato olhando para cima. Mas a reconstrução precisa alcançar o futebol, a qualidade do elenco e a maneira de enfrentar decisões. Dinheiro e entusiasmo abrem possibilidades; uma equipe preparada precisa sustentá-las quando a pressão chega.
Não é hora de baixar a cabeça, tampouco de aceitar mais uma decepção como destino. O Boca é um gigante, mas o Vasco também tem história suficiente para encarar um confronto desse tamanho sem se sentir menor. A torcida já mostrou que está pronta para voltar a sonhar. Agora, o clube precisa oferecer razões para que ela guarde a calculadora. O Vasco não pode continuar sendo o Vasco que se acostumou a apenas sobreviver.