O mercado financeiro, que já andava de cabelo em pé com as idas e vindas do Banco Master, sofreu um terremoto hoje. A fintech Naskar quebrou e, num passe de mágica digno dos piores vilões, desapareceu com R$ 1 bilhão dos clientes. O susto é grande e a dúvida é maior ainda: afinal, o que é uma Fintech e por que ela some assim?
Vamos tentar explicar didaticamente qual é a grande diferença entre um banco e uma fintech: imagine que o banco é aquele cofre gigante, de ferro, pesado e cheio de guardas em volta. Ele é lento para abrir e te cobra caro para guardar seu brinquedo, mas você sabe exatamente onde o cofre está enterrado. Já a fintech é uma mochila colorida e super moderna. Ela é leve, não te cobra nada, abre com um clique no celular e promete que seu brinquedo vai render mais lá dentro. O problema? Se o dono da mochila decidir correr, ele corre muito mais rápido do que o dono do cofre de ferro. O banco tem o lastro do Banco Central; a fintech, muitas vezes, só tem uma boa promessa e um aplicativo bonito.
No meio desse turbilhão, surge um nome conhecido das quadras: Maurício. Muita gente logo associou o nome ao prestígio da Seleção Brasileira, mas é preciso separar o joio do trigo.
Mauricio do vôlei
Um dos sócios da Naskar é Maurício, ex-jogador de vôlei. O Maurício envolvido na história é o Maurício Jahu, ex-atleta que brilhou no Pirelli e vestiu a amarelinha nos anos 80. Um bom jogador, dizem, mas não o confundam com o Maurício Lima, o levantador bicampeão olímpico e dono de medalhas de ouro.
A confusão de nomes serve como uma luva para explicar o nó financeiro de hoje. A diferença entre uma Fintech e um banco tradicional é rigorosamente a mesma diferença entre o Maurício Jahu e o Maurício Lima: os dois jogam o mesmo esporte, os dois usaram a mesma camisa da Seleção e ambos têm seu valor. Mas, na hora da decisão, na hora em que o jogo aperta e vale a medalha de ouro no peito, só um deles entrega a garantia máxima do pódio.
No vôlei, o erro de nome é apenas uma distração. No banco, pode custar um bilhão. Fique de olho no levantamento, porque nem todo Maurício é ouro e nem toda conta digital é porto seguro.