No Brasil, a gente vive se indignando com os penduricalhos alheios. É o auxílio-paletó aqui, uma gratificação por “esforço adicional” ali, e o contribuinte sempre de olho no contracheque de quem vive do dinheiro público. Mas, enquanto a gente discute as migalhas do orçamento, um argentino baixinho e tatuado desembarcou por aqui e simplesmente estraçalhou o conceito de benefício extra.
Jorge Sampaoli não é apenas um técnico de futebol; ele é o maior gestor de “indenizações criativas” da história do esporte.

O “bolsa-rescisão” de luxo
Olhe para essa tabela e tente não rir (ou chorar). Chile, Argentina, Sevilla, Santos, Flamengo… A lista de clubes que pagaram fortunas para ele ir embora é maior do que a lista de títulos recentes de muito time grande. São mais de 21 milhões de dólares acumulados apenas no “passar de RH”.
* O penduricalho do Galo: O Atlético-MG, que adora uma engenharia financeira ousada, é o próximo da fila. O valor “por confirmar” é aquele penduricalho que fica ali, como uma sombra, esperando o momento certo de virar precatório ou pix programado.
* Estraçalhando a concorrência: Enquanto o burocrata médio briga por uma licença-prêmio, Sampaoli transformou a demissão em um modelo de negócio bilionário. Ele exige reforços, briga com a diretoria, o time para de jogar e — voilà — o “penduricalho” da multa rescisória cai na conta.
A moral da história
A ironia é deliciosa: passamos o dia criticando os privilégios de Brasília ou do Poder Legislativo, mas Sampaoli deu um nó em todo mundo. Ele criou o seu próprio sistema de castas, onde o erro é premiado com milhões de dólares.
Se o “jeitinho brasileiro” fosse um esporte, Sampaoli já teria ganhado a medalha de ouro, o bônus de performance e a multa de rescisão do pódio.
No fim das contas, Sampaoli provou que o melhor emprego do mundo não é ser técnico de futebol… é ser ex-técnico Sampaoli.
