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O novo “padrão Globo” entrou em campo – e o jornalismo saiu derrotado

A decisão de colocar a influenciadora Virgínia Fonseca como repórter durante a cobertura da Copa do Mundo mostra o nível baixo do jornalismo da emissora atualmente

Marcondes Brito

25/05/2026 5h17

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Reprodução

Durante décadas, a expressão “padrão Globo de qualidade” virou uma espécie de selo de excelência da televisão brasileira. O conceito atravessou gerações, moldou o jornalismo televisivo e ajudou a construir a imagem de uma emissora que se orgulhava de rigor técnico, apuração, profissionalismo e formação de grandes nomes da comunicação.

Mas basta observar alguns movimentos recentes da própria Globo para perceber que esse velho conceito parece cada vez mais distante da realidade atual da TV brasileira.

A decisão de colocar a influenciadora Virgínia Fonseca em funções ligadas à cobertura da Copa do Mundo de 2026 escancarou um debate que já vinha crescendo silenciosamente dentro do meio esportivo: afinal, ainda existe espaço para o jornalismo profissional no entretenimento esportivo da televisão?

A escolha da influenciadora, impulsionada sobretudo pelo alcance nas redes sociais e pela capacidade de gerar engajamento, provocou reação até entre jornalistas historicamente respeitados no país.  A discussão, na verdade, vai muito além de Virgínia.

Ela apenas simboliza um processo que vem acontecendo há anos nas grandes emissoras: a lenta substituição do jornalista especializado por figuras capazes de gerar repercussão instantânea, independentemente de experiência, formação ou trajetória profissional.

Primeiro vieram os ex-jogadores ocupando espaços de análise e comentário em larga escala. Alguns se revelaram ótimos comunicadores, é verdade. Outros, porém, foram lançados diante das câmeras apenas pelo passado dentro de campo, enquanto profissionais experientes perdiam espaço nas redações esportivas.

Agora, o fenômeno avança para outro estágio: nem mesmo a ligação com o esporte parece mais indispensável. O que vale é o tamanho da audiência digital.

A lógica comercial passou a falar mais alto do que qualquer compromisso histórico com o jornalismo.

E isso produz uma consequência delicada para as próprias empresas de comunicação: a perda gradual de credibilidade de um modelo que durante décadas se vendeu como referência de qualidade editorial.

A Globo, que já revelou nomes históricos da reportagem esportiva brasileira, parece hoje caminhar numa direção em que a informação precisa disputar espaço com algoritmos, viralização e estratégias de influência digital.

A Copa do Mundo, que antes funcionava como vitrine máxima do jornalismo esportivo da televisão, começa a assumir contornos de grande plataforma de entretenimento híbrido, misturando reportagem, publicidade, celebridade e performance digital numa mesma embalagem.

O problema é que, quando tudo vira espetáculo, o jornalismo deixa de ser prioridade.

E talvez seja justamente aí que mora a maior crise da televisão esportiva atual: não é apenas uma discussão sobre quem aparece na tela, mas sobre o valor que ainda se atribui à profissão de jornalista dentro das próprias emissoras.

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A coluna Futebol Etc na edição impressa do Jornal de Brasília

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