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Futebol ETC
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 O futebol se tornou dependente das bets, mas 12 clubes fogem à regra; saiba quais 

Marcondes Brito

25/09/2026 5h43

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará nesta sexta-feira (25), em São Paulo, uma “dura medida” contra as bets. E a simples possibilidade de restrições ao mercado de apostas esportivas acendeu o sinal de alerta no futebol brasileiro. Se o dinheiro das bets diminuir drasticamente ou desaparecer, muitos clubes terão de promover uma verdadeira reengenharia financeira para adequar despesas, salários e investimentos a uma nova realidade.

O tamanho do problema aparece nos números. Levantamento atualizado em setembro mostra que 28 dos 40 clubes das Séries A e B mantêm algum vínculo comercial permanente identificado com empresas de apostas. São 15 dos 20 times da Série A e 13 dos 20 da Série B.

Na elite, a dependência financeira é ainda mais visível. As casas de apostas respondem por cerca de R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões das receitas comerciais dos 20 clubes, considerando os números de 2025. Na prática, aproximadamente um em cada três reais provenientes da área comercial tem origem nas bets.

Mas existe o outro lado dessa história.

Doze clubes das duas principais divisões aparecem atualmente fora dessa relação de dependência direta: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Grêmio e Internacional, na Série A; Botafogo-SP, Cuiabá, Fortaleza, Juventude, Londrina, Operário-PR e São Bernardo, na Série B.

O levantamento considera os vínculos comerciais permanentes identificados atualmente. Alguns desses clubes já tiveram casas de apostas como patrocinadoras ou realizaram ações pontuais com empresas do setor, mas hoje não possuem contrato permanente identificado com bets.

O caso do Cuiabá é ainda mais emblemático. O presidente Cristiano Dresch já declarou publicamente que o clube decidiu não fechar com casas de apostas e que conseguiu compensar a ausência desse dinheiro buscando patrocinadores locais. Para o dirigente, uma eventual redução dos investimentos das bets também poderia provocar uma necessária diminuição dos custos do futebol.

É justamente aí que está uma das questões centrais do debate. A eventual saída das casas de apostas não significaria simplesmente substituir uma marca por outra na camisa. Muitos clubes construíram seus orçamentos contando com contratos elevados e teriam de rever despesas, principalmente com salários e contratações.

A própria Série A mostra como o mercado mudou rapidamente. Em 2025, 19 dos 20 clubes tinham patrocínio de bets. Em 2026, considerando apenas o patrocínio máster, são 13. Mesmo assim, quando entram na conta também os acordos secundários, as empresas de apostas continuam vinculadas a 15 dos 20 integrantes da elite.

As exceções ajudam a colocar o debate em perspectiva. Internacional, Grêmio, Bahia, Athletico-PR e Coritiba disputam a Série A sem vínculo permanente identificado atualmente com casas de apostas. Na Série B, outros sete clubes estão na mesma situação.

Isso não significa que todos estejam em situação financeira confortável nem que substituir milhões provenientes das bets seja tarefa simples. Mostra, porém, que existem clubes funcionando sem essa receita.

Caso as restrições avancem, portanto, o desafio para boa parte do futebol brasileiro será menos descobrir se é possível sobreviver sem as bets e mais descobrir como reorganizar estruturas que, nos últimos anos, cresceram contando com um dinheiro que passou rapidamente de complementar a estratégico.

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