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Futebol ETC
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O futebol dos bilhões a pagar

Corinthians, Atlético-MG, São Paulo e Botafogo ultrapassam, individualmente, R$ 2 bilhões. Juntos, devem R$ 9,88 bilhões

Marcondes Brito

26/10/2026 6h01

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O futebol brasileiro se acostumou a contar milhões nas contratações e bilhões nas dívidas. Somados os valores dos 40 clubes relacionados no levantamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), a conta chega a R$ 24,975 bilhões. Quase R$ 25 bilhões. É uma cifra que deveria provocar mais inquietação do que provoca uma sequência de derrotas.

Corinthians, Atlético-MG, São Paulo e Botafogo ultrapassam, individualmente, R$ 2 bilhões. Juntos, devem R$ 9,88 bilhões, quase 40% de todo o montante. O Corinthians lidera com R$ 2,76 bilhões. Num ambiente em que a cobrança por reforços nunca descansa, o tamanho dessas obrigações deveria ocupar o centro do debate sobre o futuro dos clubes.

Mas a lista traz um dado que amplia a discussão. Flamengo e Palmeiras, nessa ordem as principais referências do futebol brasileiro dentro e fora de campo, também superam o bilhão: R$ 1,26 bilhão e R$ 1,58 bilhão, respectivamente. Nem os exemplos de força esportiva e capacidade financeira estão fora desse retrato. Isso exige olhar além do ranking.

É preciso, porém, separar endividamento de insolvência. Uma empresa não se torna inviável apenas porque deve R$ 2 bilhões. Importam o faturamento, o patrimônio, os juros, os prazos e o dinheiro disponível para pagar. A mesma régua vale para o futebol. Flamengo e Palmeiras, inclusive, estão entre os clubes que declararam não ter atrasos nas obrigações monitoradas pela agência. Dever e deixar de pagar são situações diferentes.

Essa distinção não diminui o problema: torna a cobrança mais precisa. Dívida que financia estrutura e cabe no orçamento tem uma lógica. Acumular compromissos sem capacidade de honrá-los tem outra. O perigo está em tratar qualquer rombo como parte natural do jogo, sempre à espera de uma venda de jogador, de uma renegociação ou de alguém disposto a cobrir a conta.

No futebol, a paixão ajuda a tolerar o que provocaria forte desconfiança em outros negócios. O torcedor exige a contratação; o dirigente anuncia; a obrigação fica para os próximos balanços e, muitas vezes, para a próxima gestão. Ganhar um título pode aliviar a cobrança da arquibancada. Não significa, por si só, equilibrar as finanças.

Os números têm como referência os balanços de dezembro de 2025. São um retrato, não uma sentença coletiva de falência. Mas o alerta é inequívoco: o futebol precisa disputar também o campeonato de pagar o que promete. Quase R$ 25 bilhões depois, tratar essa conta como normal é uma derrota que nenhum troféu deveria esconder.

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A coluna na edição impressa do JBr

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