O clássico Fluminense 2 x 1 Flamengo deixou claro algo que vinha sendo tratado como detalhe, mas nunca foi algo pequeno: o Flamengo decidiu tratar o Campeonato Carioca como um torneio secundário. E fez isso de maneira explícita. Escalou o sub-20, perdeu duas partidas, empatou outra, afundou na lanterna do grupo e ouviu a torcida reclamar. Parte da imprensa, de forma surpreendente, defendeu a escolha, como se poupar titulares fosse, por si só, sinal de planejamento inteligente, mirando competições consideradas mais valiosas, como o Brasileiro e a Supercopa.
O futebol, porém, costuma punir esse tipo de postura. Quando o Flamengo resolveu reagir, colocou o time titular contra o Vasco, venceu e recuperou um pouco de confiança. No Fla-Flu, a história foi outra. Diante de um Fluminense organizado e intenso, o Flamengo não apenas perdeu: foi dominado. A sensação de quem acompanha o jogo é clara. Os jogadores parecem desconfortáveis, quase incrédulos, como se perguntassem ao adversário algo tipo: “Como ousam nos enfrentar assim?”
O Fluminense jogou como quem leva o clássico a sério. Foi competitivo, concentrado e não demonstrou qualquer reverência ao elenco milionário do rival. John Kennedy (foto em destaque) apareceu mais uma vez, repetindo um roteiro já conhecido contra o Flamengo. Do outro lado, o rubro-negro pagou o preço de ter tratado o Estadual como laboratório.
A lição é simples: o Flamengo é um clube gigante, sem dúvida, mas isso não lhe dá o direito de diminuir a competição. Esse comportamento desrespeita o torneio, a federação e, principalmente, adversários como Fluminense, Vasco e Botafogo, que decidiram disputar o Carioca com seriedade.
O retrato atual é constrangedor. Zona de rebaixamento, risco concreto de ter que disputar uma repescagem para não cair para a Série A2. Um cenário incompatível com o investimento feito no elenco. E o calendário não oferece alívio. Vem a Supercopa contra o Corinthians. Se perder, não haverá desculpa possível. O sub-20 não serve mais como álibi. Será crise, pura e simples.
Estamos vendo um começo de ano totalmente oposto ao anterior, quando tudo deu certo. Uma coisa é certa: nesse contexto, o trabalho de Filipe Luís passa, inevitavelmente, a ser questionado.